26 de out de 2010

A Palavra Mágica

Certa palavra dorme na sombra
de um livro raro
Como desencantá-la?
É a senha da vida
a senha do mundo.
Vou procurá-la.

Vou procurá-la a vida inteira
no mundo todo.
Se tarda o encontro, se não a encontro,
não desanimo,
produro sempre.

Procuro sempre, e minha procura
ficará sendo
minha palavra.

Carlos Drummond de Andrade
1977 - Discurso de Primavera e Algumas Sombras

Solo le pido a Dios

 
Só peço a Deus
que a dor não me seja indiferente
que a seca morte não me encontre
vazia e só sem ter feito o suficiente

Só peço a Deus
que o injusto não me seja indiferente
que não me esbofeteem a outra bochecha
Depois que uma garra me arranhou essa sorte

Só peço a Deus
que a guerra não me seja indiferente
É um monstro grande e esmaga
Toda pobre inocência da gente
É um monstro grande e esmaga
Toda pobre inocência da gente

Só peço a Deus
que o engano não me seja indiferente
Se um traidor pode mais que uns quantos,
que esses não esqueçam facilmente

Só peço a Deus
que o futuro não me seja indiferente,
Desiludido está o que tem que marchar
para viver uma cultura diferente

Só peço a Deus
que a guerra não me seja indiferente
É um monstro grande e esmaga
Toda pobre inocência da gente
É um monstro grande e esmaga
Toda pobre inocência da gente
 

O gato que não sabia de nada

Marcos Fernando Kisrt

Uma das coisa que aprendi a gostar na vida foi dos gatos. Desde criança sempre tive cachorros, vira-lata, linguiçinha epor aí vai. Tinha asco dos pobres felinos, achava a personalidade dos gatos muito traiçoeira. Pois bem, certo dia  resolvi ter um gato ou melhor uma gata  o nome? "Rê Bordosa" sim em homenagem a personagem criada por Angeli. Resultado me apaixonei pelos felinos. Penso até que adoraria ser um ou melhor  uma.

A Rê Bordosa era linda, amarela com jeito de Garfield  e cara de Gato de Botas  do filme Sherek. Até morou comigo aqui em Porto Alegre por um ano até minha odiosa vizinha roubá-la em uma das minhas saídas. Não é isso que quero contar, quando penso no roubo vou ficando irritada.  Acontece que a Rê Bordosa era uma menina até o dia que foi levada ao veterinário para fazer a tal cirurgia  para não ter gatinhos...  o que descobrimos? Não era uma gata era um gato! Como tudo era cor-de-rosa, a coleira, a cama, a caixinha de areia o brinquedos...decidi que ia continuar sendo a minha Rê Bordosa gata. Acho que isso gerou alguns problemas psicológicos nela ou melhor nele.

Cheguei onde queria, neste  aniversário ganhei diversos presentes e um dele foi  o livro " O Gato que não sabia de nada" de Marcos Fernando Kirst natural de Santa Maria mas radicado em Caxias do Sul. De quem veio o presente? Não poderia ser de outra pessoa se não da minha inveterada leitora Ivânia minha mãe.

O livro é fantástico, é narrado em primeira pessoa e quem narra? O gatinho que também foi levado ao veterinário pelos seus "pais adotivos, humanos" para fazer sua 1° consulta e saber se era um gatinho ou uma gatinha, Bioy tem crises de identidade, “Eu é que não iria engolir aquilo de jeito nenhum, pois, se era para os tais de vermes, os vermes que engolissem aquilo, eu é que não, pois posso ser gato, macaquinho,vira-lata ou até jornalista, mas verme não sou e, portanto, não engoliria remédio para vermes! Foi tudo isso que eu disse para eles entre meus dentes enquanto eles me forçavam a engolir a pílula, que acabou assustadoramente caindo pela minha goela abaixo, apesar de meus protestos. Urgh! Pfuaf!!! Eca!!!!!” 

O livro é infanto-juvenil, mas não deixa nada a desejar. Li  em meia hora e me diverti muito. A  narração de Bioy faz com que nós " bichos humanos"  possamos entender um mundo que não é o nosso e sim o dele  mas que compartilhamos  no dia a dia. 

“E tem vezes que eles ficam simplesmente encantados quando eu, estando no meio dos dois no sofá da sala, fixo meu olhar naquele aparelho barulhento e cheio de imagens coloridas que mudam o tempo todo, que eles parecem adorar. ‘Veja, amor, o Bioy assiste televisão’, eles comentam... Nada a ver! Fico, na verdade, é meio pasmado por alguns segundos, tentando entender onde está a graça que eles encontram naquilo, mas logo me canso e prefiro voltar aos carinhos deles e fechar meus olhos para sonhar coisas e mundos fantásticos que só a imaginação dos gatos é capaz de criar.” 
 
Vale a pena a leitura, em um momento de descontração, momento de não pensar em nada apenas soltar a imaginação e entrar no fantático mundo do "gatinho menino Bioy" afinal não é qualquer gato que escreve histórias!

23 de out de 2010

"Esperança" clássico da música gaúcha

Dicionário de ofensas


Inicialmente elogios... no meio as ofensas  vem, será que vem pensadas ou apenas de impulso? será que sabem o efeito que causam?

frustrada
chata
grossa
burra
problemática

aí vem também as expressões clássicas...

saco cheio
vai se fuder
vai tomar no c'*
cala a boca

Particularmente não gosto nem de ouvir nem de usar nenhuma delas, prefiro o argumento sereno, paciente e consequente. Prefiro a doçura, o carinho a compreensão.

Canção da América

Mais um adeus precoce demais

Um sábado como muitos, a diferença? Eu e Nilo ficamos em casa com o Pedrinho então não saímos ontem e consequentemente acordamos cedinho hoje. Pois é ele acordou cedinho eu dei mais um tempo na cama  pois adoro fazer preguiça. O telefone tocou  era um músico amigo que  vinha com más e tristes notícias.  Uma grande figura que conhecemos por acaso em um projeto chamado Roda de Zamba  e a partir dali não perdemos mais contato sofreu um acidente hoje äs 6 horas da manhã. Uma árvore, um carro, algumas cervejas e o fim de uma vida muito promissora.

Matheus Petuco, 23 anos compositor, músico que trazia consigo a sensibilidade dos antigos compositores que saíram desta terra.  Com sua banda Calote Samba rock que nos últimos meses tivemos o prazer de  tê-los duas vezes no Satélite-Prontidão. Com energia e vontade de fazer acontecer que eu não via há muito tempo. Mostrando qualidade em todos os sentidos desde seus clássicos da antiga com releituras até sua banda composta por pessoas queridas e como ele.

Não vou esquecer o dia que foi conhecer a ASP e fez 3 músicas com a banda que produzimos a Mr.Funk... o Menino baixinho mas de grande valor tremia ao subir no palco. Passou aqui por casa e  falava da necessidade de tocar em lugares que sua música fosse conhecida, falava também da falta que sentia do irmão que já não residia com ele e os pais.

Hoje só posso dar força aos que conheceram essa pessoa querida, dizer que estamos aí pra tudo que precisarem, pois nosso trabalho é negócio mas ele é feito de pessoas que aprendem a respeitar e conhecer umas äs outras. E tenho convicção que passaremos pelo adeus a nosso amigo e continuaremos a andar e de onde quer que ele esteja estará aqui em cada palhetada, em cada nota musical que for solta no ar. Dia triste esse é terrível dar adeus aos mais novos que você!

Força para essa família e para os meninos da Calote!

22 de out de 2010

Verão em Calcutá!

Amoo de mais Nei Lisboa! Delícia encontrá-lo no final de tarde na Lancheria do Parque. Delícia ouvir essa voz que faz bem para a alma! Essa música é uma das minhas preferidas!

21 de out de 2010

Loucos de Cara

Essa pra variar é mais uma das músicas que herdei da minha mãe... eu pequeninha ela colocava para tocar e dizia "Isa escuta essa música, presta atenção na letra..."


Vem, anda comigo pelo planeta
Vamos sumir!
Vem, nada nos prende, ombro no ombro
Vamos sumir!
Não importa que Deus
Jogue pesadas moedas do céu
Vire sacolas de lixo
Pelo caminho
Se na praça em Moscou
Lênin caminha e procura por ti
Sob o luar do oriente
Fica na tua
Não importam vitórias
Grandes derrotas, bilhões de fuzis
Aço e perfume dos mísseis
Nos teus sapatos
Os chineses e os negros
Lotam navios e decoram canções
Fumam haxixe na esquina
Fica na tua
Vem, anda comigo pelo planeta
Vamos sumir!
Vem, nada nos prende, ombro no ombro
Vamos sumir!
Não importa que Lennon
Arme no inferno a polícia civil
Mostre as orelhas de burro
Aos peruanos
Garibaldi delira
Puxa no campo um provável navio
Grita no mar farroupilha
Fica na tua
Não importa que os vikings
Queimem as fábricas do cone sul
Virem barris de bebidas
No rio da prata
Boitatá nos espera
Na encruzilhada da noite sem luz
Com sua fome encantada
Fica na tua
Poetas loucos de cara
Maldito loucos de cara
Pirados loucos de cara
Ah, vamos sumir!
Parceiros loucos de cara
Ciganos loucos de cara
Inquietos loucos de cara
Ah, vamos sumir!
Vem, anda comigo pelo planeta
Vamos sumir!
Vem, nada nos prende, ombro no ombro
Vamos sumir!
Se um dia qualquer
Tudo pulsar num imenso vazio
Coisas saindo do nada
Indo pro nada
Se mais nada existir
Mesmo o que sempre chamamos real
E isso pra ti for tão claro
Que nem percebas
Se um dia qualquer
Ter lucidez for o mesmo que andar
E não notares que andas
O tempo inteiro
É sinal que valeu!
Pega carona no carro que vem
Se ele não vem, não importa
Fica na tua
Videntes loucos de cara
Discrentes loucos de cara
Inquietos loucos de cara
Ah, vamos sumir!
Latinos, deuses, gênios, santos, podres
Ateus, imundos e limpos
Moleques loucos de cara
Ah, vamos sumir!
Gigantes, tolos, monges, monstros, sábios
Bardos, anjos rudes, cheios do saco
Fantasmas loucos de cara
Ah, vamos sumir!
Vem, anda comigo pelo planeta
Vamos sumir!
Vem, nada nos prende, ombro no ombro
Vamos sumir!

"‎Que seria deste mundo sem militantes?

Garimpado e traduzido por Raisa Marques, divido com você essa linda gravação em que Pepe Mujica, Presidente do Uruguai e ex-guerrilheiro dá um aula sobre a militância.
 Acompanhem:

"‎Que seria deste mundo sem militantes? Como seria a condição humana se não houvesse militantes? Não porque os militantes sejam perfeitos, porque tenham sempre a razão, porque sejam super-homens e não se equivoquem. Não é isso. É que os militantes não vem para buscar o seu, vem entregar a alma por um punhado de sonhos. Ao fim e ao cabo, o progresso da condição humana depende fundamentalmente de que exista gente que se sinta feliz em gastar sua vida a serviço do progresso humano. Ser militante não é carregar uma cruz de sacrifício. É viver a glória interior de lutar pela liberdade em seu sentido transcendente".

O caluniador, figura da barbárie

 por Juarez Guimarães, na Carta Capital


De todas as eleições presidenciais realizadas após a
 redemocratização, esta é certamente aquela que a calúnia cumpre um papel mais central na definição do voto. Ela foi utilizada em um momento decisivo por Collor contra Lula, compareceu sempre todas as vezes nas quais Lula foi candidato mas agora ela mudou de intensidade e abrangência, tornou-se multiforme e onipresente.

A calúnia foi ao centro da nossa vida democrática. A senhora ao lado no ônibus me diz que recebeu a informação que Dilma desafiou Jesus Cristo em um comício realizado na Praça da Estação, em Belo Horizonte. O motorista de táxi conta que um médico lhe ssegurou que um outro médico, seu amigo, diagnosticou  gonorréia em Dilma.

Um e-mail recebido traz documento do TSE impugnando a candidatura de Dilma por ter “ficha suja”. Um  aluno me diz ter recebido carta em casa da Regional 1 da CNBB, contendo mensagem para não votar em Dilma por ser contra a vida. Um comerciante na papelaria me diz que “não vota em  bandida”. Após divulgar o resultado da primeira pesquisa Sensus/CNT para o segundo turno, o sociólogo Ricardo Guedes, afirmou  que “nessa eleição, principalmente no final do primeiro turno, temos um fenômeno sociológico de natureza cultural de desconstrução de imagem. O processo de difamação, até certo ponto, pegou.” Quem conhece  alguém que não recebeu uma calúnia contra Dilma ?
 
Houve uma mudança nos meios: a internet permite o anonimato e a profusão da calúnia. A Igreja brasileira, sob a pressão de mais de duas décadas de Ratzinger, tornou-se mais conservadora na sua cúpula e mobiliza hoje uma mensagem de ultra-direita, como não se via desde 1964. A mídia empresarial brasileira, já se sabia, vinha trilhando o seu caminho de partidarização e difamação pública, no qual até o direito de resposta  tornou-se um crime contra a liberdade de expressão. Mas tudo isso não havia encontrado ainda o seu ponto de fusão: agora, sim.

O que está ocorrendo aos nossos olhos não pode ser banalizado. O caluniador é uma figura da barbárie, o sinistro que mobiliza o submundo dos preconceitos, dos ódios e dos fanatismos. A calúnia traz a violência para o centro da cena pública, pronunciando a morte pública de uma pessoa, sem direito à defesa. Perante a calúnia não há diálogo, direitos ou tribunais isentos. Na dúvida, contra o “réu”: a suspeição atirada sobre ele, visa torná-lo impotente pois já, de partida, a humanidade lhe foi negada.

Mas quem é o caluniador, essa figura de mil caras e rosto nenhum? É preciso dizer alto e bom som, em  público, o seu nome, antes que seja tarde: o nome do caluniador é hoje a candidatura José Serra! Friso a
candidatura porque não quero exatamente negar a humanidade de quem calunia. É o que fez, com a coragem que lhe é própria, a companheira Dilma Roussef no primeiro debate do segundo turno, apontando o nome de
uma caluniadora – a mulher de Serra – e chamando o próprio de o “homem das mil caras”.

Dia a dia, de forma crescente e orquestrada, a calúnia foi indo ao centro de sua campanha, de sua mensagem, de sua fala, de sua identidade proclamada, de seus aliados midiáticos, de parceiros fanáticos (TFP) ou escabrosos (nazistas de Brasília), de sua estratégia eleitoral e de seu cálculo. “Homem do bem” contra a “candidata do mal”? Homem de uma “palavra só” contra a “mulher de duas caras”? Político “ficha limpa” contra a “candidata ficha suja”? Protetor dos fetos e dos ofendidos (como mostra a imagem na TV) contra aquela que “assassina criancinhas”, como disse publicamente sua mulher? Homem público contra a “mulher das sombras”?
O que está se passando mesmo aqui e agora na jovem democracia brasileira? Que arco é este que vai da TFP a Caetano Veloso, quem , quase em uníssomo ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, chamou o presidente Lula de analfabeto e ignorante já no início deste ano? Afinal, que cruzada é esta e qual a sua força?

O que está ocorrendo aqui e agora é uma aliança dirigida por um liberal conservador com o fanático religioso e com o proto-fascista. Cada uma dessas figuras – que sustentam o lugar comum da calúnia – precisa ser entendida em sua própria identidade e voz. A democracia brasileira ainda é o lugar da razão, do sentimento e da dignidade do público: por isso, defender a candidatura Dilma Roussef é hoje assumir a causa que não pode ser perdida.

Liberalismo conservador: o criador e sua criatura – Nunca como agora em que esconde ou quase não mostra a imagem de Fernando Henrique Cardoso, Serra foi tão criatura de seu mestre intelectual. É dele que vem o discurso e a narrativa que, ao mesmo tempo, dá a senha e liga toda a cruzada da direita brasileira.

A noção de que o PT e seu governo ameaçam a liberdade dos brasileiros pois instrumentalizam o Estado, fazem reviver a “República sindical”, formam gangues de corrupção e ameaçam a liberdade de expressão não
deixa de ser uma evocação da vertente lacerdista da velha UDN. Mas certamente não é uma doutrina local.

 A cartilha do liberal-conservador Fernando Henrique Cardoso é um autor chamado Isaiah Berlin, autor de um famoso ensaio “Dois conceitos de liberdade” e do livro “A traição da liberdade. Seis inimigos da liberdade humana”. Neste ensaio e neste livro, define-se a liberdade como “liberdade negativa”, isto é aquele espaço que não é regulado pelas leis ou pelo Estado contraposto à noção de “liberdade positiva”.Quanto menos Estado, mais liberdade; quanto mais Estado, menos liberdade. Ao confundir liberdade com autonomia, ao vincular liberdade aos ideais de justiça ou de interesse comum, republicanos, sociais-democratas, liberais cívicos e, é claro, socialistas, trairiam a própria idéia de liberdade.

É por este conceito e seus desdobramentos que Fernando Henrique mobiliza o clamor midiático contra o PT e o governo Lula. É este conceito que estrutura também o discurso de Serra, que acusa o governo Lula de ser proto-totalitário. É evidente que o conceito não é passado de forma iluminista: a mídia brasileira tornou-se uma verdadeira artista na criação das mediações de opinião, imagem e notícia que se centralizam, em última instância, neste conceito. Daí ele dialoga com o senso comum.
Seja dito em favor de Fernando Henrique Cardoso: é o lado mais sombrio de seu liberalismo que vem à tona agora, na cena agônica, quando o candidato que representa a sua herança ameaça perder pela última vez.
Pois este liberalismo sempre foi de viés cosmopolita, atento em seu diálogo com os democratas norte-americanos e aos “filósofos da Terceira Via”, a certos direitos inscritos na pauta, como aqueles da liberdade sexual, do direito ao aborto legal, dos gays, dos negros, da vida cultural. Mas agora para fazer a ponte com o fanatismo religioso, ele resolveu descer aos infernos: nada sobrou de progressista na candidatura Serra, das ameaças à Bolívia à moral sexual de Ratzinger?

O liberal conservador não é o fanático religioso nem o proto-fascista, aquele que julga que a melhor maneira de dissuadir o adversário é  simplesmente eliminá-lo. Mas dialoga com eles na causa comum de derrotar os “proto-totalitários” de esquerda”. Como disse bem, Jean Fabien Spitz, autor de “ O conceito de liberdade”, os ensaios de Berlin trazem o sentido e a tonalidade da época da “guerra fria”.
 
O fanático religioso: os frutos de Ratzinger – Se a social-democracia, o republicanismo e o socialismo são os inimigos de Berlin, a Modernidade em um sentido amplo é o inimigo central do ex-cardeal Ratzinger. O programa político- teológico que veio construindo a ferro e fogo nestas últimas três décadas é centrado na idéia que é preciso restaurar a dogmática da fé contra os efeitos dissolutivos da moral emancipadora, da racionalização científica e da secularização. Este discurso político, que se fecha no fundamentalismo religioso, como bem denunciou Leonardo Boff, é, na verdade, um discurso de poder, de recentramento do poder do Vaticano.

Neste programa, não é apenas a esquerda enquanto topografia política que é o inimigo mas principalmente o processo de emancipação das mulheres. Entre a “Eva pecadora” e a “Maria mãe de Deus” não há outra identidade possível às mulheres.

A dimensão fundamentalista desde discurso não reconhece o direito do pluralismo na política, nem mesmo na linha do “consenso sobreposto” proposto por John Rawls ( a possibilidade de convergências sobre direitos, partido de um pluralismo de fundamentos). Ou se concorda ou se é proscrito, ex-comungado ou desqualificado.
O proto-fascista brasileira não veste camisa preta nem usa suástica no braço ( embora, é claro, ninguém   duvide, redes simbolicamente ostensivas estão em ação), nem precisa ser sociologicamente configurado como “lumpen proletariado” ou “pequeno burguesia vacilante”, para lembrar as figuras de uma linguagem  simplificadora. O proto-fascista brasileiro é aquele que não quer receber em sua casa comum – a democracia brasileira – estes que não reconhecem mais o seu antigo lugar, os pobres e os negros. 
Há uma violência inaudita no ato do jornal liberal “O Estado de São Paulo” em punir com a demissão Maria Rita Kehl, por escrever um artigo em prol da dignidade dos pobres. Esta violência, que está muito distante do proclamado pluralismo mesmo restrito de alguns liberais, cheira a proto-fascismo, este ato que pretende  abolir as razões públicas dos pobres simplesmente negando dignidade a eles.

A força da liberdade que hoje mora no coração dos brasileiros, os braços abertos do Cristo Redentor e o que há de imaginação e magnífica pulsão de vida na cultura popular dos brasileiros são os verdadeiros antídotos contra as figuras do ódio do caluniador. Por detrás da sua máscara, o povo brasileiro há de reconhecer os centenários adversários de seus direitos.

Diante do caluniador, somos todos hoje Dilma Roussef!

20 de out de 2010

Wild Horses

 Há dias quero ouvi-la mas não tinha procurado ainda. Hoje procurei, já amava essa música na voz do Mick Jaeger mas encontrei na voz maravilhosa. de Alicias Keys com Adam Levine. Adivinha? Amei!
Escuta porque vale a pena!

14 de out de 2010

Colocando na Balança

Mais que existir

Bom, dizer o que do Slim Rimografia ... grande poeta das ruas sua métrica diferenciada de todos e seus sentimentos comum à todos. Slim foi mais uma vez muito feliz em sua composição sintetizou o sentimento de muitos  em "Mais que existir" sua nova música. Curte aí de coração aberto!



Hoje minha vida é dificil, me sinto sempre tão inseguro
os dias me assustam, quando caminhando pelas ruas penso no futuro
sonhos morreram prematuros em dias duros e frios
coração cheio de magoa, sorrir é quase um desafio
seguro as lagrimas solitário entre milhões de almas que vagam
perdido entre tristes espaços nesse deserto sem agua
o que me resta, revolta é voz da frustração que me testa
em cada brinde que saúda a derrota entre butecos e festas
a fé move montanha, até os meus pés ficam estáticos
a esperança se foi e hoje versos melodrámaticos
me diz que por um triz eu não perdi a diretriz
mantenho o brilho no olhar, forças pra caminhar ainda tenho..
muito que conquistar, me empenho
derrota, escravidão, senzala é medo de lutar
aceitar o senhor de engenho
não posso fraquejar, que venham as arenas
em cada rima nova que faço eu soluciono um velho problema
mãos que acenam pra mim, sorrisos abertos em vão.. ainda
vejo mais corpos estendidos no chão que mãos estendidas
quantos se foram por ambição, ganancia
miséria é inquilina da derrota e a felicidade uma longa distancia!

viver, é bem mais que existir (força pra lutar)
viver, é bem mais que existir (força pra sorrir)
viver, é bem mais que existir
viver..

força pra lutar, força pra sorrir.. viver

cada escolha tem um preço, eu sabia que facil não seria
viver de arte onde panelas ainda se encontram vazias
aos cantos olha sem esperança mirando um horizonte
onde o sol nasce, mais a esperança ainda se esconde
arco-iris sem cor, poema sem rima
declaração sem amor, alegria.. quase um premio de loteria
por favor Senhor, dai-me forças para não desistir
pela fé dobro meus joelhos e agradeço por ainda estar de pé
quantas madrugadas em claro mergulhado na escuridão
na mente a frustração, nas mãos papel e uma caneta
percebi que em cada letra minhas rimas se entristeciam
como que se tudo que acreditei, agora nao mais existiam
vi contas acumulando (vi) depressão batendo na porta
solitário medo cobrava juros como um agiota
derrota não é perder, é desistir de lutar
esse é o canto da vitória e somente você pode se libertar
tem muito luto pra tão pouca luta, valores invertidos
orgulho do fracasso, vergonha de ser bem sucedido
conduta contraria de tudo aquilo que acredito, vai vendo..
hoje vitória não é quem vence mais e sim quem sofre menos!

viver, é bem mais que existir (força pra lutar)
viver, é bem mais que existir (força pra sorrir)
viver, é bem mais que existir
viver..

7 de out de 2010

Dez falsos motivos para não votar na Dilma

Por Jorge Furtado, cineasta

Tenho alguns amigos que não pretendem votar na Dilma, um ou outro até diz que vai votar no Serra. Espero que sigam sendo meus amigos. Política, como ensina André Comte-Sponville, supõe conflitos: “A política nos reúne nos opondo: ela nos opõe sobre a melhor maneira de nos reunir”.

Leio diariamente o noticiário político e ainda não encontrei bons argumentos para votar no Serra, uma candidatura que cada vez mais assume seu caráter conservador. Serra representa o grupo político que governou o Brasil antes do Lula, com desempenho, sob qualquer critério, muito inferior ao do governo petista, a comparação chega a ser enfadonha, vai lá para o pé da página, quem quiser que leia. (1)

Ouvi alguns argumentos razoáveis para votar em Marina, como incluir a sustentabilidade na agenda do desenvolvimento. Marina foi ministra do Lula por sete anos e parece ser uma boa pessoa, uma batalhadora das causas ambientalistas. Tem, no entanto (na minha opinião) o inconveniente de fazer parte de uma igreja bastante rígida, o que me faz temer sobre a capacidade que teria um eventual governo comandado por ela de avançar em questões fundamentais como os direitos dos homossexuais, a descriminalização do aborto ou as pesquisas envolvendo as células tronco.

Ouço e leio alguns argumentos para não votar em Dilma, argumentos que me parecem inconsistentes, distorcidos, precários ou simplesmente falsos. Passo a analisar os dez mais freqüentes:

1. “Alternância no poder é bom”.
Falso. O sentido da democracia não é a alternância no poder e sim a escolha, pela maioria, da melhor proposta de governo, levando-se em conta o conhecimento que o eleitor tem dos candidatos e seus grupo políticos, o que dizem pretender fazer e, principalmente, o que fizeram quando exerceram o poder. Ninguém pode defender seriamente a idéia de que seria boa a alternância entre a recessão e o desenvolvimento, entre o desemprego e a geração de empregos, entre o arrocho salarial e o aumento do poder aquisitivo da população, entre a distribuição e a concentração da riqueza. Se a alternância no poder fosse um valor em si não precisaria haver eleição e muito menos deveria haver a possibilidade de reeleição.

2. “Não há mais diferença entre direita e esquerda”.
Falso. Esquerda e direita são posições relativas, não absolutas. A esquerda é, desde a sua origem, a posição política que tem por objetivo a diminuição das desigualdades sociais, a distribuição da riqueza, a inserção social dos desfavorecidos. As conquistas necessárias para se atingir estes objetivos mudam com o tempo. Hoje, ser de esquerda significa defender o fortalecimento do estado como garantidor do bem-estar social, regulador do mercado, promotor do desenvolvimento e da distribuição de riqueza, tudo isso numa sociedade democrática com plena liberdade de expressão e ampla defesa das minorias. O complexo (e confuso) sistema político brasileiro exige que os vários partidos se reúnam em coligações que lhes garantam maioria parlamentar, sem a qual o país se torna ingovernável. A candidatura de Dilma tem o apoio de políticos que jamais poderiam ser chamados de “esquerdistas”, como Sarney, Collor ou Renan Calheiros, lideranças regionais que se abrigam principalmente no PMDB, partido de espectro ideológico muito amplo. José Serra tem o apoio majoritário da direita e da extrema-direita reunida no DEM (2), da “direita” do PMDB, além do PTB, PPS e outros pequenos partidos de direita: Roberto Jefferson, Jorge Borhausen, ACM Netto, Orestes Quércia, Heráclito Fortes, Roberto Freire, Demóstenes Torres, Álvaro Dias, Arthur Virgílio, Agripino Maia, Joaquim Roriz, Marconi Pirilo, Ronaldo Caiado, Katia Abreu, André Pucinelli, são todos de direita e todos serristas, isso para não falar no folclórico Índio da Costa, vice de Serra. Comparado com Agripino Maia ou Jorge Borhausen, José Sarney é Che Guevara.

3. “Dilma não é simpática”(?).
Argumento precário e totalmente subjetivo. Precário porque a simpatia não é, ou não deveria ser, um atributo fundamental para o bom governante. Subjetivo, porque o quesito “simpatia” depende totalmente do gosto do freguês. Na minha opinião, por exemplo, é difícil encontrar alguém na vida pública que seja mais antipático que José Serra, embora ele talvez tenha sido um bom governante de seu estado. Sua arrogância com quem lhe faz críticas, seu destempero e prepotência com jornalistas, especialmente com as mulheres, chega a ser revoltante.

4. “Dilma não tem experiência”.
Argumento inconsistente. Dilma foi secretária de estado, foi ministra de Minas e Energia e da Casa Civil, fez parte do conselho da Petrobras, gerenciou com eficiência os gigantescos investimentos do PAC, dos programas de habitação popular e eletrificação rural. Dilma tem muito mais experiência administrativa, por exemplo, do que tinha o Lula, que só tinha sido parlamentar, nunca tinha administrado um orçamento, e está fazendo um bom governo.

5. “Dilma foi terrorista” (foi contra os assassinos).
Argumento em parte falso, em parte distorcido. Falso, porque não há qualquer prova de que Dilma tenha tomado parte de ações “terroristas”. Distorcido, porque é fato que Dilma fez parte de grupos de resistência à ditadura militar, do que deve se orgulhar, e que este grupo praticou ações armadas, o que pode (ou não) ser condenável. José Serra também fez parte de um grupo de resistência à ditadura, a AP (Ação Popular), que também praticou ações armadas, das quais Serra não tomou parte. Muitos jovens que participaram de grupos de resistência à ditadura hoje participam da vida democrática como candidatos. Alguns, como Fernando Gabeira, participaram ativamente de seqüestros, assaltos a banco e ações armadas. A luta daqueles jovens, mesmo que por meios discutíveis, ajudou a restabelecer a democracia no país e deveria ser motivo de orgulho, não de vergonha.

6. “As coisas boas do governo petista começaram no governo tucano” (mentira).
Falso. Todo governo herda políticas e programas do governo anterior, políticas que pode manter, transformar, ampliar, reduzir ou encerrar. O governo FHC herdou do governo Itamar o real, o programa dos genéricos, o FAT, o programa de combate a AIDS. Teve o mérito de manter e aperfeiçoá-los, desenvolvê-los, ampliá-los. O governo Lula herdou do governo FHC, por exemplo, vários programas de assistência social. Teve o mérito de unificá-los e ampliá-los, criando o Bolsa Família. De qualquer maneira, os resultados do governo Lula são tão superiores aos do governo FHC que o debate “quem começou o quê” torna-se irrelevante.

7. “Serra vai moralizar a política” (ridículo).
Argumento inconsistente. Nos oito anos de governo tucano-pefelista - no qual José Serra ocupou papel de destaque, sendo escolhido para suceder FHC - foram inúmeros os casos de corrupção, um deles no próprio Ministério da Saúde, comandado por Serra, o superfaturamento de ambulâncias investigado pela “Operação Sanguessuga”. Se considerarmos o volume de dinheiro público desviado para destinos nebulosos e paraísos fiscais nas privatizações e o auxílio luxuoso aos banqueiros falidos, o governo tucano talvez tenha sido o mais corrupto da história do país. Ao contrário do que aconteceu no governo Lula, a corrupção no governo FHC não foi investigada por nenhuma CPI, todas sepultadas pela maioria parlamentar da coligação PSDB-PFL. O procurador da república ficou conhecido com “engavetador da república”, tal a quantidade de investigações criminais que morreram em suas mãos. O esquema de financiamento eleitoral batizado de “mensalão” foi criado pelo presidente nacional do PSDB, senador Eduardo Azeredo, hoje réu em processo criminal. O governador José Roberto Arruda, do DEM, era o principal candidato ao posto de vice-presidente na chapa de Serra, até ser preso por corrupção no “mensalão do DEM”. Roberto Jefferson, réu confesso do mensalão petista, hoje apóia José Serra. Todos estes fatos, incontestáveis, não indicam que um eventual governo Serra poderia ser mais eficiente no combate à corrupção do que seria um governo Dilma, ao contrário.

8. “O PT apóia as FARC” (mais ridículo ainda).
Argumento falso. É fato que, no passado, as FARC ensaiaram uma tentativa de institucionalização e buscaram aproximação com o PT, então na oposição, e também com o governo brasileiro, através de contatos com o líder do governo tucano, Arthur Virgílio. Estes contatos foram rompidos com a radicalização da guerrilha na Colômbia e nunca foram retomados, a não ser nos delírios da imprensa de extrema-direita. A relação entre o governo brasileiro e os governos estabelecidos de vários países deve estar acima de divergências ideológicas, num princípio básico da diplomacia, o da auto-determinação dos povos. Não há notícias, por exemplo, de capitalistas brasileiros que defendam o rompimento das relações com a China, um dos nossos maiores parceiros comerciais, por se tratar de uma ditadura. Ou alguém acha que a China é um país democrático?


9. “O PT censura a imprensa” (mentira, a imprensa que o censura).
Argumento falso. Em seus oito anos de governo o presidente Lula enfrentou a oposição feroz e constante dos principais veículos da antiga imprensa. Esta oposição foi explicitada pela presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ) que declarou que seus filiados assumiram “a posição oposicionista (sic) deste país”. Não há registro de um único caso de censura à imprensa por parte do governo Lula. O que há, frequentemente, é a queixa dos órgãos de imprensa sobre tentativas da sociedade e do governo, a exemplo do que acontece em todos os países democráticos do mundo, de regulamentar a atividade da mídia.


10. “Os jornais, a televisão e as revistas falam muito mal da Dilma e muito bem do Serra”.
Isso é verdade. E mais um bom motivo para votar nela e não nele.

Fatos

(1) Alguns dados comparativos dos governos FHC e Lula.

Geração de empregos:
FHC/Serra = 780 mil x Lula/Dilma = 12 milhões

Salário mínimo:
FHC/Serra = 64 dólares x Lula/Dilma = 290 dólares

Mobilidade social (brasileiros que deixaram a linha da pobreza):
FHC/Serra = 2 milhões x Lula/Dilma = 27 milhões

Risco Brasil:
FHC/Serra = 2.700 pontos x Lula/Dilma = 200 pontos

Dólar:
FHC/Serra = R$ 3,00 x Lula/Dilma = R$ 1,78

Reservas cambiais:
FHC/Serra = 185 bilhões de dólares negativos x Lula/Dilma = 239 bilhões de dólares positivos.

Relação crédito/PIB:
FHC/Serra = 14% x Lula/Dilma = 34%

Produção de automóveis:
FHC/Serra = queda de 20% x Lula/Dilma = aumento de 30%

Taxa de juros:
FHC/Serra = 27% x Lula/Dilma = 10,75%

Lokua Kanza



Lokua Kanza é um cantor,compositor e arranjador nascido em Bukavu, província de Kivu, na parte oriental da República Democrática do Congo (ex-Zaire). Primogênito de oito filhos de um pai mongo e uma mãe tutsi, de Ruanda, aprendeu a cantar em coros de igreja e experimentou a guitarra nos conjuntos de rumba do Zaire. Completou os seus estudos no Conservatório de Kinshasa onde, aprendeu a teoria musical, a harmonia e a composição enquanto aperfeiçoava os seus conhecimentos instrumentais.

Após o lançamento de seu primeiro disco Lokua Kanza, em 1993, transformou-se num dos expoentes da música africana no mundo. Dois concertos no Auditorium dês Halles, no centro de Paris, bastaram para transformá-lo num genuíno sucesso. Em 2005, lançou Plus Vivant, cuja tournée mundial chega ao Brasil pela primeira vez.

Em suas canções mistura o francês e o lingala – um dialeto africano. Devido a sua sensibilidade artística, seduz artistas de horizontes culturais muito distintos, desde Youssou NDour até Patrick Bruel. Com Ismaël Lô, Baaba Maal ou Geoffrey Oryema, Lokua Kanza garante brilhantemente a renovação da música africana.
Ele é conhecido por seu som, soulful folclórico, o que é atípico da música ambiente dancefloor soukous que são comuns no Congo.

Lokua Kanza surpreende pelo refinamento e sofisticação musical, sendo considerado hoje um dos maiores astros da música africana.

A cara de todos os gaúchos

6 de out de 2010

Porto Solidão

Inesquecível Jessé não tem outra forma de referir-me a este explêndido cantor... Leia-me  Jessé, faz essa voz na penetrar a minha alma!

 

06 de outubro


Muitas flores pra você minha linda vó, saudades mil. Sinto falta de tudo, das tuas mãos fazendo cafuné, das caretas quando te apertava ou melhor amassava. Do puxão no pé todos os dias pelas manhãs quando você acordava e eu ainda estava na cama fazendo uma preguiça. A dor está aqui... mas neste dia após muitas , digo muitas horas de choro te comprei um presente, aquele que você mais gostava, flores... flores, lindas begonias para uma borboleta que se libertou  desta vida  e que tenho convicção que está muito bem.

Nós aqui é que ficamos capengas mas espero em breve te abraçar  e deitar com a cabeça no teu colo e mais uma vez sentir as mãos macias de uma mulher que trabalhou a vida toda e não teve tempo de usufruir de todo seu trabalho. Você representava meus 60% de bondade... o que restou? Ainda não sei estou na procura incansável de preencher este vazio.  Um dia  a ferida cicatriza e volto a sorrir como quando estava aqui bem juntinho de mim! Te comprei begonias, begonias lindas e rosadas vou regá-las  para que fiquem lindas, linda como você era!

Te amo, te amo, te amo

Nasce o argumento Verde, o novíssimo discurso da velha direita


"Wall Street" é, entre outras coisas, o nome do novo filme do cineasta norte-americano Oliver Stone. Ele conta a história da crise financeira de 2008 tendo como personagem central um jovem especulador financeiro que parece ter algo semelhante ao que um dia se chamou pudor.

Sua grande preocupação é capitalizar uma empresa, que visa produzir energia ecologicamente limpa, dirigida por um professor de cabelos brancos e ar sábio. O jovem especulador é, muitas vezes, visto pelos seus pares como idealista. No entanto, ele sabe melhor que ninguém que, depois do estouro da bolha financeira, os mercados irão em direção à bolha verde. Mais do que idealista, ele sabe, antes dos outros, para onde o dinheiro corre. Enfim, seu pudor não precisa entrar em contradição com sua ganância.

Neste sentido, "Wall Street" foi feliz em descrever esta nova rearticulação entre agenda ecológica e mundo financeiro. Ela talvez nos explique um fenômeno político mundial que apareceu com toda força no Brasil: a transformação dos partidos verdes em novos partidos de centro e o abandono de suas antigas pautas de esquerda.

A tendência já tinha sido ditada na Europa. Hoje, o partido verde alemão prefere aliar-se aos conservadores da CDU (União Democrata-Cristã) do que fazer triangulações de esquerda com os sociais-democratas (SPD) e a esquerda (Die Linke). Quando estiveram no governo de Schroeder, eles abandonaram de bom grado a bandeira pacifista a fim de mandar tropas para o Afeganistão. Com o mesmo bom grado, eles ajudaram a desmontar o Estado do bem-estar social com leis de flexibilização do trabalho (como o pacote chamado de Hartz IV). Daniel Cohn-Bendit, um dos líderes do partido verde francês, fez de tudo para viabilizar uma aliança com os centristas do Modem. Algo que soaria melhor para seus novos eleitores que frequentam as praças financeiras mundiais.
No Brasil, vimos a candidatura de Marina Silva impor-se como terceira via na política. Ela foi capaz de pegar um partido composto por personalidades do calibre de Zequinha Sarney e fazer acreditar que, com eles, um novo modo de fazer política está em vias de aparecer. Cobrando os outros candidatos por não ter um programa, ela conseguiu esconder que, de todos, seu programa era o economicamente mais liberal. O que não devia nos surpreender. Afinal, os verdes conservaram o que talvez havia de pior em maio de 68: um antiestatismo muitas vezes simplista enunciado em nome da crença na espontaneidade da sociedade civil.

Não é de se estranhar que este libertarianismo encontre, 40 anos depois, o liberalismo puro e duro. De fato, a ocupação do centro pelos verdes tem tudo para ficar. Ela vem a calhar para um eleitorado que um dia votou na esquerda, mas que gostaria de um discurso mais "moderno". Um discurso menos centrado em conflitos de classe, problemas de redistribuição, precarização do trabalho e mais centrado em "nova aliança", "visão integrada" e outros termos que parecem saídos de um manual de administrador de empresas zen. Alguns anos serão necessários para que a nova aliança se mostre como mais uma bolha. 

Artigo de Vladimir Safatle, professor no departamento de filosofia da USP. Publicado hoje na Folha.

2 de out de 2010

Presidente - Dilma 13

Governador - Tarso 13



Tarso Genro, 63 anos, é advogado, formado pela Universidade Federal de Santa Maria. Especializado em Direito Trabalhista, atuou em defesa de sindicatos e associações profissionais em todo o estado e integra o Instituto dos Advogados Brasileiros.

Tarso nasceu em São Borja (RS), em 06 de março de 1947, filho da dona de casa Elly e do advogado e escritor Adelmo Genro. É casado com a médica Sandra Genro, com quem tem duas filhas: Luciana, deputada federal, e a médica Vanessa, e um neto, Fernando, filho de Luciana.

Tem vários livros editados na área de Direito, Política e Literatura. Tem trabalhos publicados na França, Espanha, Turquia, Estados Unidos, Uruguai, México, Peru, Portugal e Itália. Algumas de suas publicações:

- Introdução à Crítica do Direito do Trabalho. L&PM Editores. Porto Alegre, 1979

– Contribuição à Crítica do Direito Coletivo do Trabalho. Editora Síntese. Porto Alegre, 1981

– Direito Individual do Trabalho. Editora LTR. São Paulo, 1985

– Introdução Crítica ao Direito. Sergio Antonio Fabris Editor, Porto Alegre, 1988.

– Direito Individual do Trabalho (edição revista e ampliada). Editora LTR. São Paulo, 1994.

– Crise da Democracia – Direito, democracia direta e neoliberalismo na ordem global. Editora Vozes – 2002.

– Esquerda em Processo. Editora Vozes, 2004.

– O mundo real – socialismo na era pós-liberal. Com Giuseppe Cocco, Carlos María Cárcova e Juarez Guimarães. L&PM Editores, 2008.
Vida política

Em 1969, com 21 anos, Tarso foi eleito vereador em Santa Maria pelo MDB (Movimento Democrático Brasileiro), único partido oposicionista na época. Após a redemocratização, ingressou no PT e, em 1986, foi eleito deputado federal constituinte pelo PT. Tarso foi vice-prefeito de Porto Alegre na primeira gestão da Administração Popular (1989/1992). Posteriormente, foi prefeito da capital gaúcha em duas gestões, entre 1993 e 1996 e entre 2001 e 2002, quando Porto Alegre, com experiências inovadoras de participação popular, como o Orçamento Participativo, e um processo marcante de inversão de prioridades, se consolidou como uma referência mundial, conquistando premiação da ONU sobre gestão pública, e sediando o 1º Fórum Social Mundial e, depois, o 1º Fórum Mundial de Autoridades Locais.

Foi candidato da Frente Popular ao governo do estado por duas vezes: em 1990, quando conquistou 10% dos votos, e em 2002, quando alcançou 48% da votação no segundo turno eleitoral. Exerceu, também, a função de presidente nacional do Partido dos Trabalhadores. Tarso Genro participou decisivamente das duas gestões do presidente Luis Inácio Lula da Silva, ocupando, quando se desincompatibilizou do Executivo federal, o Ministério da Justiça. Já havia exercido as funções de ministro da Secretaria Especial do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, ministro da Educação e ministro da Articulação Política. Na condição de protagonista desta experiência nacional de governo, coordenou a instituição de programas paradigmáticos do governo Lula, como o Prouni, na Educação, e o Pronasci, na Justiça, além de ter iniciado o processo de expansão da rede federal de ensino superior e de ensino técnico e coordenado a formação da coalizão de governo que conferiu estabilidade ao segundo mandato de Lula.

Senadores do Rio Grande - Paulo Paim e Abigail

  

Paulo Paim - 131
Paulo Paim, filho do metalúrgico Ignácio Paim e da dona de casa Italia Paim, é casado e pai de cinco filhos. Começou a trabalhar aos oito anos de idade. Após concluir o curso primário, ingressou no SENAI, tornando-se metalúrgico, matrizeiro e ferramenteiro. O primeiro contato com a política foi no movimento estudantil. Desde esse tempo, demonstrou liderança e capacidade. Em 1981, foi eleito presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Canoas e reeleito no mandato subsequente. No ano seguinte, conduzido à presidência da Central Estadual de Trabalhadores. Entre 1983 e 1985, foi secretário geral da CUT Nacional e vice–presidente da entidade entre 1985 e 1986. Um fato marcante de sua trajetória foi uma caminhada a pé de Canoas até Porto Alegre, em 1983, com um grande número de companheiros. Saiu de Canoas com 3 mil trabalhadores, chegando à capital com mais de 20 mil, num ato de protesto contra a ditadura e o desemprego em frente ao Palácio do Governo. Operário e negro,enfrentou preconceitos e dificuldades, mas foi o deputado mais votado no Rio Grande do Sul. Sua caminhada é marcada pela defesa dos direitos dos trabalhadores, servidores públicos, aposentados, negros e todos aqueles que, de alguma forma, são discriminados.

Foi deputado federal de 1987 a 2002, o mais votado no Rio Grande do Sul. É senador pelo PT desde 2003 e considerado pelo DIAP (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar)  um dos parlamentares mais influentes do Congresso Nacional. É reconhecida a sua luta pela valorização do salário mínimo. Paim é autor de 1248 projetos, entre eles os que resultaram nos Estatutos da Igualdade Racial e do Idoso. Candidatou-se pela primeira vez em l986 e foi eleito Deputado Constituinte, entre os dez mais votados do estado. Exerceu quatro mandatos consecutivos e no pleito de 1998 foi o mais votado no Rio Grande do Sul.

Quando presidiu a Comissão de Trabalho, Administração, Serviço Público da Câmara Federal, entre 1993 e 1994, assegurou o reajuste de 147% aos assalariados, aposentados e pensionistas. Em 1995, aprovou o Salário Mínimo de 100 dólares. É autor da lei que trata dos crimes de racismo. A disputa para uma vaga no Senado Federal em 2002 foi acirrada. As pesquisas colocavam-no em quarto lugar, mas recebeu mais de dois milhões de votos. Assumiu a primeira vice-presidência do Senado e aprovou um de seus mais importantes projetos: o Estatuto do Idoso.

É sua a base do Estatuto da Igualdade Racial, aprovado este ano, e também do Estatuto da Pessoa Com Deficiência, que segue tramitando. Aguardam votação projetos de sua autoria que preveem aumentos reais para o Salário Mínimo; a vinculação dos proventos dos aposentados e pensionistas ao Mínimo; o fim do Fator Previdenciário; a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução de salário; a atualização dos proventos dos aposentados e pensionistas à época da concessão de seus benefícios; o Estatuto dos Motoristas; o Fundo de Ensino Profissionalizante; a implantação de várias escolas técnicas e das Zonas de Processamento de Exportação no Rio Grande do Sul.


Abigail Pereira - 651
Formada em Pedagogia pela Universidade de Caxias do Sul (UCS), com especialização em Psicopedagogia pela Universidade Castelo Branco (RJ), foi admitida, em 1977, na extinta Comissão Municipal de Amparo à Infância (Comai). Hoje, atua na Biblioteca Pública Municipal de Caxias do Sul. É casada com o advogado e sindicalista Guiomar Vidor e tem dois filhos: Filipe e Thomaz. Foi escolhida pelo PCdoB para ser candidata ao Senado Federal.

A veia militante de Abgail começou a pulsar aos 13 anos, quando auxiliou a campanha do ex-vereador Régis Prestes, opositor ao Regime Militar na década de 70. Nos anos 80, filiou-se ao PDT e integrou a Juventude Trabalhista. Com a eleição d a feminista Rachel Grazziotin para a Câmara de Vereadores, a comunista tornou-se a primeira assessora política do legislativo caxiense. Em 1984, ingressou no PCdoB, atuando na clandestinidade. Participou da fundação e presidiu a União das Mulheres Caxienses (UMCA) e integrou a União Brasileira de Mulheres (UBM). Esteve à frente dos movimentos em defesa da saúde pública, pela universalização e implantação do SUS no município, pela ampliação da rede de creches e no combate à violência de gênero.

Foi presidente por três mandatos e é atual vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores no Comércio Hoteleiro, Restaurantes, Bares e Similares e em Turismo e Hospitalidade de Caxias do Sul (Sintrahtur). Também foi vice-presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio e Serviços (Contracs) e integra a direção executiva da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB). Em 2009, foi eleita para a direção nacional do PCdoB e, no RS, faz parte da Comissão Política da direção do partido. Em 2008, foi candidata a vice-prefeita em Caxias do Sul na chapa liderada pelo petista Pepe Vargas. Concorreu à Câmara de Caxias do Sul e, embora não eleita, tornou-se a terceira mulher mais votada daquele pleito. Sua atuação foi marcante na batalha contra a violência de gênero, pela implantação da Delegacia para Mulher em Caxias do Sul, da Casa de Apoio Viva Rachel e na criação do Conselho Municipal da Mulher e da Coordenadoria da Mulher.



 

Deputada Federal - Manuela 65165


Manuela d’Ávila é deputada federal e jornalista formada pela PUC-RS. Foi conselheira do Conselho Universitário da UFRGS, coordenadora do Centro de Estudantes de Ciências Sociais, vice-presidente da União Nacional dos Estudantes, presidente estadual e diretora nacional da União da Juventude Socialista e a mais jovem vereadora eleita de Porto Alegre.

Na Câmara Municipal de Porto Alegre foi presidente da Comissão de Educação, Cultura, Esporte e Juventude, líder da bancada do PCdoB, membro da Frente Parlamentar em Defesa da Criança e do Adolescente e vice-presidente da Comissão Especial de Políticas Públicas para Pessoas Portadoras de Deficiências.

Em 2006 foi eleita a deputada mais votada do Brasil e do Rio Grande do Sul, com 271.939 votos.

É dirigente municipal, estadual e nacional do PCdoB.

Na Câmara dos Deputados é vice-presidente da Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público; membro da Comissão de Turismo e Desporto; Comissão Especial do Estatuto da Metrópole e Comissão Especial de Acompanhamento da Crise Econômica.

Foi relatora da Lei dos Estágios.

Manuela preside a Frente Parlamentar do Esporte a Frente Parlamentar em Defesa da Liberdade na Internet e a Frente Parlamentar pela Cidadania LGBT.

É relatora na Câmara dos Deputados do Estatuto da Juventude e do Vale-Cultura.

Em recente pesquisa divulgada pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), Manuela configura como parlamentar em ascensão na Câmara. A deputada também foi indicada por jornalistas ao Prêmio Congresso em Foco, como uma das melhores parlamentares da Câmara.

Manuela tem um mandato dedicado ao desenvolvimento do país e reconhecido no Brasil e na América Latina pela defesa dos interesses da juventude e dos trabalhadores.

Deputado Estadual - Jussara Cony 65165


Razão e emoção, corpo e alma que transitam, coletiva e amorosamente, pela emancipação das mulheres, respeito às diversidades, valorização do trabalho, inversão da lógica da doença para a primazia da saúde. Assim é Jussara Cony, funcionária da UFRGS e Farmacêutica, cuja história de vida é pautada pelos ideais da liberdade, dos direitos à saúde, à cultura, ao trabalho. Jussara foi vereadora em Porto Alegre, deputada estadual por quatro mandatos e diretora do Grupo Hospitalar Conceição.

Gaúcha de Cacequi, mãe, avó e bisavó, brasileira de tempos de lutas e conquistas, Jussara coloca sua profissão, militância, capacidade de articulação para transformar e, mais uma vez, traz sua contribuição para construir um Rio Grande, liderado por Tarso, que esteja ao lado do Brasil que se desenvolveu com Lula e que avançará ainda mais com Dilma, primeira mulher Presidente!

Com sua história de coragem e sensibilidade, Jussara Cony voltará à Assembléia para, lembrando Quintana: “com sensíveis movimentos da esperança e da vontade, buscar na linha do horizonte, a árvore, a praia, a flor, a fonte, os beijos merecidos da verdade.” A verdade que, como ela, chega de mãos dadas com novos amanhãs, com a mesma coerência, disposição e dignidade.   Que volta de mãos dadas com Jussara!

Na a gestão de Jussara Cony, o Grupo Hospitalar Conceição, com a participação dos trabalhadores:

Implantou a Mesa de Negociação Coletiva, um importante espaço de diálogo entre trabalhadores e gestores;

Instalou o Programa de Atenção Domiciliar Infantil (PADI);

Ampliou a Licença-Maternidade para 180 dias para as trabalhadoras do GHC, desde janeiro/2008;

Inaugurou a Emergência do Hospital Criança Conceição, com investimentos do  Programa Qualisus do Ministério da Saúde/Governo Federal;

Lançou o Núcleo de Educação Ambiental com o objetivo de melhorar o ambiente e a qualidade de vida na instituição e o controle da infecção hospitalar;

Criou o primeiro curso de mestrado profissional – Epidemiologia: Gestão de Tecnologias em Saúde na Linha de Pesquisa de Atenção Primária à Saúde” em parceria com a UFRGS e com apoio do Ministério da Saúde;

Implantou a Rede de Pontos de Cultura, programa do Ministério da Cultura, para incentivar a criação de polos culturais entre trabalhadores, comunidade e usuários do GHC;

Recebeu o Selo Pró-Equidade de Gênero, concedido pela Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, do Governo Federal, por promover  a igualdade de oportunidades entre homens e mulheres dentro da Instituição;

Inaugurou o Banco de Leite do Hospital Fêmina, referência para profissionais do Cone Sul;

Inaugurou instalações da Emergência e da UTI do Hospital Cristo Redentor, duplicando o número de leitos;

Assinou convênio com o Ministério da Saúde e Prefeitura de Porto Alegre para criar 39 Equipes de Saúde da Família, 20 equipes de Saúde Bucal e quatro Núcleos de Apoio à Saúde da Família;

Aumentou a contratação de novos postos de trabalho, a maioria na assistência direta ao usuário do SUS. Somente em 2009, foram admitidos 762 novos trabalhadores.

Coragem e sensibilidade que fazem a diferença

Eleições 2010


 É chegada a hora,  amanhã dia 03 de outubro  vai acontecer mais uma festa da democracia brasileira. Acordei hoje com meu coração saindo pela boca e com cereteza ele só vai sossegar amanhã após as 17 horas. Aos amigos e seguidores que ainda não se decidiram vou postar aqui meus candidatos  voto a voto com o perfil, foto e número de cada um.  Aos indecisos fica a dica. Aos decididos não custa dar um alida pois precisamos saber que são e o que propõe cada um deles.

Segue....