10 de dez de 2010

Ser Feliz


Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver
Apesar de todos os desafios,
Incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas
E se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si,
Mas ser capaz de encontrar um oásis
No recôndito da sua alma.

É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um “não”.
É ter segurança para receber uma crítica,
Mesmo que injusta.

Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou
Construir um castelo ...

Fernando Pessoa

Escolas da minha vida!



Com, todos já sabem  que o carnaval  em 2011 será  no mês de  março. Carnaval em março causa-me uma certa estranheza pois normalmente é fevereiro e para mim é como se toca-se a sineta  avisando que o ano vai começar pra valer levando em conta que janeiro e fevereiro é aquele período de descanso e as coisas andam mais lentas. 

2011 já começará  antes do carnaval, as faculdades, as escolas tudo iniciará antes do 5,6,7 e 8 de março. A folia vai acontecer com o ano já andando e a quarta-feira de cinzas será  a "quarta" do "Bem vindo a realidade hoje é dia de trabalho, aula etc"

Para compensar defini que para mim o RJ será em janeiro, os meses que agora antecedem o carnaval serão de ensaios da escola do coração, aqui em POA a Imperatriz Dona Leopoldina e no Rio a Estação Primeirade Mangueira... vou lavar me com  com laranja, preto, branco e claro o meu verde e rosa.

Por enquanto deleito-me nos sambas da minhas amadas escolas. A torcida já está grande. Ensaios que me aguardem, minha alma pede pelos aquecimentos das baterias, pela preparação das harmonias e claro pelo tocar da sirene! Que já ouviu a sirene antes de passar na avenida sabe do que estou falando! Fiquem com os sambas das escolas da minha vida!




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9 de dez de 2010

Pata de Elefante no Estúdio Trama

Grande banda gaúcha de música instrumental! Os cd's você ouve sem parar e no "repeat". Agora a espectativa é em cima do trabalho solo do Prego que com toda certeza não vai deixar nada a desejar! por enquanto curtimos a Pata na TV Trama.

Mensagem

Em apoio ao WikiLeaks, hackers iniciam 1ª "Guerra da Informação"

 Um Exército de hackers voluntários está agindo em defesa do site WikiLeaks e entrou na disputa cibernética protagonizada por ataques e contra-ataques envolvendo a polêmica homepage, que divulga importantes documentos secretos pelo mundo, dando início assim à primeira ”Guerra da Informação”.
A “Operation Avenge Assange” (Operação Vingar Assange), organizada por hackers após o cerco internacional contra o WikiLeaks e seu criador, Julian Assange, conseguiu nesta quarta-feira derrubar parte dos sistemas informáticos da rede de cartões de crédito MasterCard, prova do poder da mobilização espontânea através da internet.

O protocolo IRC (Internet Relay Chat) é o ponto de partida do ataque contra a rede MasterCard, ao qual a Agência Efe teve acesso. Nele, o moderador estabeleceu como título “Operação Payback. Alvo: ”www.mastercard.com”. Existem coisas que o WikiLeaks não pode fazer. Para todas as outras existe a Operação Payback”.

No final da manhã desta quarta-feira, os operadores do IRC informavam que mais de 1.800 bots estavam inundando com Ataques de Negação de Serviços (DDoS) contra o endereço “www.mastercard.com”. A empresa reconheceu dificuldades em alguns de seus serviços.

Enquanto isso, outros usuários do protocolo informavam sobre o progresso do ataque com mensagens sobre o estado das operações da Mastercard em países tão distantes como Suécia, Sri Lanka e México, ou sobre a evolução das ações da companhia de cartões de crédito na Bolsa de Nova York.

“A primeira guerra da informação começou. Envie por Twitter e poste isso em qualquer site”, proclamava um dos hackers.

Outros solicitavam que o grupo dirigisse seus ataques contra os serviços de PayPal, Visa e inclusive contra a conservadora emissora de televisão “Fox News”. No entanto, o grupo de hackers denominado “Anonymous” mantém o ataque contra a Mastercard.

“Por favor, deixem de sugerir novos sites. Os líderes de ”Anon” decidiram que ”mastercard.com” deve permanecer apagado. Dessa forma, afetaremos o preço de suas ações. Obrigado”, explicava outro usuário.

Segundo o blog da empresa de segurança virtual Panda, o grupo havia atacado o sistema de pagamentos online PayPal pouco depois de o serviço anunciar o bloqueio financeiro ao WikiLeaks, embora o ataque tenha se limitado a um blog da empresa.

O Panda assinalou que o ataque DDoS contra o “ThePayPalblog.com” durante oito horas fez com que o blog sofresse 75 interrupções de serviço.
O “Anonymous” também conseguiu afetar gravemente o funcionamento do PostFinance, banco suíço que também bloqueou sua conta ao WikiLeaks, e ao escritório de advocacia sueco que representa as duas mulheres que acusaram Assange de estupro e abuso sexual.

Pelas acusações, a Justiça sueca e as autoridades policiais internacionais expediram um mandado de prisão contra o ativista australiano, que não viu alternativa senão se entregar às autoridades do Reino Unido, onde estava vivendo e onde está detido, aguardando a definição sobre se será extraditado à Suécia.

O grupo que organizou o ataque é um coletivo de hackers denominado “Anonymous” e que se reúne habitualmente pelo site “4chan.org”, uma simples homepage que é utilizada para divulgar mensagens, fotografias ou simplesmente discutir sobre política.

Este não é o primeiro ataque lançado pelo “Anonymous”. Considera-se que o grupo facilitou a identificação e detenção de vários pedófilos, mas talvez uma de suas ações mais conhecidas foi o chamado “Projeto Chanology”, iniciado em 2008, para protestar contra a Igreja da Cientologia.

Por causa desse protesto, que incluiu ataques DDoS como os que atingem agora a Mastercard, o grupo adotou a estética da história em quadrinhos “V de Vingança”, no qual milhares de pessoas usam uma máscara idêntica ao do enredo para evitar sua identificação pelas autoridades.

No ano passado, o “Anonymous” também se uniu aos protestos contra as eleições iranianas, vencidas pelo líder Mahmoud Ahmadinejad e consideradas fraudulentas pela oposição.
Em seus protestos, o “Anonymous” qualificou seus ataques como “Operation Payback” (Operação Vingança), mas, desde que o WikiLeaks começou a publicar as correspondências secretas da diplomacia americana e o site começou a sofrer assédio de empresas e Governos, o “Anonymous” decidiu lançar a “Operação Vingar Assange”.

“O WikiLeaks está apagado por Ataques de Negação de Serviços (DDoS). Há razões para crer que os Estados Unidos estão por trás, devido à natureza do vazamento (de documentos) do domingo 28 de novembro”, assinalou o grupo em seu site.

“Embora não estejamos filiados ao WikiLeaks, lutamos pelas mesmas razões. Queremos transparência e combatemos censura”, acrescentou o grupo. “Não podemos permitir que isso aconteça”.

“Por isso, vamos utilizar nossos recursos para aumentar a conscientização, atacar aqueles contrários e apoiar aqueles que estão ajudando a levar nosso mundo à liberdade e democracia”, finalizou a mensagem.

Campanha de solidariedade


Enquanto as comunidades hackers manifestam solidariedade ao WikiLeaks com a "guerra da informação", ativistas de diversos movimentos sociais iniciam uma grande campanha de apoio ao site e a seu fundador através de uma petição que circula pela internet. Veja, abaixo, a mensagem que está sendo disparada para mailings de várias partes do mundo pedindo adesão à campanha de apoio ao WikiLeaks:


Caros amigos,

A campanha de intimidação massiva contra o WikiLeaks está assustando defensores da mídia livre do mundo todo.

Advogados peritos estão dizendo que o WikiLeaks provavelmente não violou nenhuma lei. Mas mesmo assim políticos dos EUA de alto escalão estão chamando o site de grupo terrorista e comentaristas estão pedindo o assassinato de sua equipe. O site vem sofrendo ataques fortes de países e empresas, porém o WikiLeaks só publica informações passadas por delatores. Eles trabalham com os principais jornais (NY Times, Guardian, Spiegel) para cuidadosamente selecionar as informações que eles publicam.

A intimidação extra judicial é um ataque à democracia. Nós precisamos de uma manifestação publica pela liberdade de expressão e de imprensa. Assine a petição pelo fim dos ataques e depois encaminhe este email para todo mundo – vamos conseguir 1 milhão de vozes e publicar anúncios de página inteira em jornais dos EUA esta semana!

O WikiLeaks não age sozinho – eles trabalham em parceria com os principais jornais do mundo (NY Times, Guardian, Der Spiegel, etc) para cuidadosamente revisar 250.000 telegramas (cabos) diplomáticos dos EUA, removendo qualquer informação que seja irresponsável publicar. Somente 800 cabos foram publicados até agora. No passado, a WikiLeaks expôs tortura, assassinato de civis inocentes no Iraque e Afeganistão pelo governo, e corrupção corporativa.

O governo dos EUA está usando todas as vias legais para impedir novas publicações de documentos, porém leis democráticas protegem a liberdade de imprensa. Os EUA e outros governos podem não gostar das leis que protegem a nossa liberdade de expressão, mas é justamente por isso que elas são importantes e porque somente um processo democrático pode alterá-las.

Algumas pessoas podem discordar se o WikiLeaks e seus grandes jornais parceiros estão publicando mais informações que o público deveria ver, se ele compromete a confidencialidade diplomática, ou se o seu fundador Julian Assange é um herói ou vilão. Porém nada disso justifica uma campanha agressiva de governos e empresas para silenciar um canal midiático legal. Clique abaixo para se juntar ao chamado contra a perseguição:

http://www.avaaz.org/po/wikileaks_petition/?vl

As domingueiras voltaram!

7 de dez de 2010

Parabéns!


Parece que o tempo voa, parece não, ele voa e cada vez mais rápido! Esse é o terceiro aniver do meu bem que passamos juntos.Todos foram muito diferentes um do outro com uma coisa em comum a nossa "Paixão". Um casado, um livre para viver e este é o contruindo a vida juntos. Neste tempo já aprendemos tanto, rimos muito e choramos muito também e nessa de ter os mesmo sonhos estamos aqui. Mais um aniver chegou!

 Pra você desejo o melhor, que esse imenso potencial  esteja cada vez mais ativo, essa cabecinha cada vez mais centrada,  esse coração cada vez mais aconchegante e cheio de amor  e  sorriso, haaaa o sorriso esse não pode deixar de brilhar!

Amo você meu lindo!

2 de dez de 2010

Dia nacional do Samba - Entrevista Póstuma com Noel

Neste Dia Nacional do Samba comemorado junto com o centenário do Noel Rosa nada melhor que um aentrevista com ele. Mas esta não é qualquer entrevista é uma entrevista póstuma publicada no "O Pasquim" em 1973 . A entrevista segue na íntegra e o jornalista é Sergio Cabral.

"Eu não tenho o que dizer. O que você quiser saber está na minha obra", Noel Rosa

O resultado foi esta entrevista. Se não estiver boa, não ponham a culpa exclusivamente no repórter. Afinal o entrevistado não dá entrevista há, pelo menos, 36 anos.
O PASQUIM - Você, um cara cheio de problemas de saúde, não saía dos bares, bebendo a noite inteira, batendo papo etc.
NOEL ROSA - Saber sofrer é uma arte. E pondo a modéstia de parte, eu sei sofrer.
O PASQUIM - Então você sofreu pra burro.
NOEL ROSA - Mesmo assim, não cansei de viver.
O PASQUIM - Mas as mulheres, de vez em quando, faziam você sofrer mais ainda.
NOEL ROSA - Quem sofreu mais do que eu, não nasceu.
O PASQUIM - Uma de suas mulheres foi até visitá-lo quando você estava doente. Mas você estava fora. Por que ela foi lá?
NOEL ROSA - Porque pretendia somente saber qual era o dia que eu deixaria de viver.
O PASQUIM - Você sofreu várias decepções, mas continuou amando.
NOEL ROSA - Nunca se deve jurar não mais amar a ninguém.
O PASQUIM - Quer dizer que você não tem nada contra o amor.
NOEL ROSA - Quem fala mal do amor não sabe a vida gozar.
O PASQUIM - Mas você, de vez em quando, fala mal de mulher.
NOEL ROSA - A mulher mente brincando e, às vezes, brinca mentindo.
O PASQUIM - Explica isso melhor.
NOEL ROSA - Quando ri está chorando e quando chora está sorrindo.
O PASQUIM - Você sabe que se a Betty Friedman o conhecesse teria uma tremenda bronca de você, que é contra mulher trabalhando...
NOEL ROSA - Todo cargo masculino, seja grande ou pequenino, hoje em dia, é pra mulher.
O PASQUIM - Mas o que é que atrapalha isso, Noel?
O PASQUIM - E por causa de palhaços, ela esquece que tem braços. Nem cozinhar ela quer.
O PASQUIM - Mas os direitos são iguais.
NOEL ROSA - Os direitos são iguais, mas até nos tribunais a mulher faz o que quer.
O PASQUIM - Então não são tão iguais assim.
NOEL ROSA - Pois o homem já nasceu dando a costela à mulher.
O PASQUIM - Essa história não é bem assim, não. É preciso discutir.
NOEL ROSA - Mas não quero discussão.
O PASQUIM - Da discussão sai a razão.
NOEL ROSA - Mas, às vezes, sai pancada.
O PASQUIM - Você gosta mesmo é de samba, não é?
NOEL ROSA - O mundo é um samba em que eu danço sem nunca sair do meu trilho.
O PASQUIM - Você acha mesmo o samba um troço importante?
NOEL ROSA - Exprime dois terços do Rio de Janeiro.
O PASQUIM - Tenho vários amigos que não gostam de samba, querem voar mais alto.
NOEL ROSA - Mas quem voa em grande altura leva sempre grande queda.
O PASQUIM - Não fale assim, Noel, os caras podem se chatear.
NOEL ROSA - O que eu falo é bem pensado. Não receio escaramuça. E que aceite a carapuça quem se sente melindrado.
O PASQUIM - Assim como você está falando, o que é que quer que pensem de você?
NOEL ROSA - Que entre nós o páreo é duro.
O PASQUIM - Mas vão acabar seus inimigos.
NOEL ROSA - Meus inimigos, que hoje falam mal de mim, vão dizer que nunca viram uma pessoa tão boa assim.
O PASQUIM - Pelo que vejo, não se pode falar mal do samba perto de você.
NOEL ROSA - O samba é a corda e eu sou a caçamba.
O PASQUIM - Você não tem medo de ninguém?
NOEL ROSA - Sou independente, como se vê.
O PASQUIM - Independente? Está rico?
NOEL ROSA - Não consigo ter nem pra gastar.
O PASQUIM - Ou seja: tá durão.
NOEL ROSA - Já estou coberto de farrapo, eu vou acabar ficando nu. Meu paletó virou estopa e eu nem sei mais com que roupa eu vou pro samba que você me convidou.
O PASQUIM - Você não vai porque está com medo dos malandros do samba.
NOEL ROSA - Não tenho medo de bamba. Na roda do samba, eu sou bacharel.
O PASQUIM - Como é que é esse negócio de bacharel?
NOEL ROSA - Quando me formei no samba, recebi uma medalha.
O PASQUIM - Você vive em tudo que é samba, não é?
NOEL ROSA - A polícia em todo canto proibiu a batucada. Eu vou pra Vila onde a polícia é camarada.
O PASQUIM - O samba em Vila Isabel é de noite ou de dia?
NOEL ROSA - O sol da Vila é triste. Samba não assiste porque a gente implora "Sol, pelo amor de Deus, não venha agora que as morenas vão logo embora."
O PASQUIM - Mas tem samba em outros lugares, Noel.
NOEL ROSA - Salve Estácio, Salgueiro, Mangueira, Oswaldo Cruz e Matriz.
O PASQUIM - E a Vila, como é que fica nisso?
NOEL ROSA - A Vila não quer abafar ninguém. Só quer mostrar que faz samba também.
O PASQUIM - Conforme você disse, o samba exprime dois terços do Rio de Janeiro.
NOEL ROSA - Mas tenho de dizer: modéstia à parte, meus senhores, eu sou da Vila.
O PASQUIM - Assim não pode, Noel. Com esta banca, é melhor a gente acabar a entrevista.
NOEL ROSA - Ofereço meu auxílio. Passe bem, vá pela sombra.
O PASQUIM - Está me mandando embora, Noel?
NOEL ROSA - Não mandei você embora porque sou benevolente.
O PASQUIM - Sabe que se você dissesse isso para certos jornalistas, eles entenderiam como um desafio para briga?
NOEL ROSA - De lutas não entendo abacate.
O PASQUIM - Ué, eu soube que você já lutou profissionalmente.
NOEL ROSA - Cheguei até ser convidado para subir num tablado pra vencer um campeão.
O PASQUIM - E daí, venceu?
NOEL ROSA - Mas a empresa, pra evitar assassinato, rasgou logo meu contrato, quando me viu de roupão.
O PASQUIM - E como é que você se vira com esses valentões?
NOEL ROSA - No século do progresso, o revólver teve ingresso para acabar com a valentia.
O PASQUIM - Você sabe que Josué Montello...
NOEL ROSA - Escreve sal com c cedilha.
O PASQUIM - Pois é. Ele agora é da Academia Brasileira de Letras, junto com o Pedro Calmon.
NOEL ROSA - Dessa vez, juntou-se a fome com a vontado de comer.
O PASQUIM - Mas ele têm prestígio por aí, numa certa roda.
NOEL ROSA - Vassoura dos salões da sociedade.
O PASQUIM - Você não freqüenta essa roda, não é?
NOEL ROSA - Você pode crer que palmeira do Mangue não vive na areia de Copacabana.
O PASQUIM - Vamos falar mal das pessoas. E o Roberto Campos, hein?
NOEL ROSA - Que é também brasileiro. E em três lotes vendeu o Brasil inteiro.
O PASQUIM - Sabe que andaram pichando você sob o pretexto de que você é bom de letra mas não de música?
NOEL ROSA - Sendo as notas sete apenas, mais eu não posso inventar.
O PASQUIM - Bem, Noel, vamos acabar a entrevista. Adeus.
NOEL ROSA - Adeus é pra quem deixa a vida. Três coisas vou gritar por despedida: até manhã, até já, até logo.
 
As fontes:
As respostas estão contidas nos seguintes sambas: Eu sei sofrer, de 1937, gravação de Aracy de Almeida; Provei (parceria com Vadico), de 1936, gravação de Marília Batista e Noel Rosa; Nuvem que Passou, de 1932, gravação de Francisco Alves; Você Vai se Quiser, de 1936, gravação de Noel Rosa e Marília Batista; É Preciso Discutir, 1931, gravação de Francisco Alves e Mário Reis; Até Amanhã, de 1932, gravação de João Petra de Barros; Quem Dá Mais, de 1932, gravação de Noel Rosa; Vitória (parceria com Nonô), de 1932, gravação de Silvio Caldas; Fita Amarela, de 1932, gravação de Francisco Alves e Mário Reis; X do Problema, de 1936, gravação de Aracy de Almeida; Com que Roupa?, de 1930, gravação de Noel Rosa; Feitiço da Vila (com Vadico), de 1934, gravação de Noel Rosa e João Petra de Barros; Boa Viagem (com Ismael Silva), de 1934, gravação de Aurora Miranda; Tarzan, o Filho do Alfaiate (com Vadico), 1936, lançado no filme Cidade Mulher por José Vieira; AEIOU (com Lamartine Babo), de 1934, gravação de Noel Rosa e Lamartine Babo; Onde Está a Honestidade?, de 1933, gravação de Noel Rosa; Mais um Samba Popular, de 1937, permaneceu inédito até 1962, quando foi gravado por Ana Cristina.

1 de dez de 2010

Hakuna Matata

Fui há 10 anos atrás ou mais até! O rei leão é o máximo e eu adoro coisas infantis também (às vezes é bom para a alma!) Mas quero dizer: Hakuna Matata para os leitores do Ilegal Imoral e Engorda. Vamos sorrir pois os seus problemasvocê deve esquecer, isso é viver é aprender Hakuna Matataaaaa!

Os Opalas e o Guitarreiro

Mais uma dica das boas! Pra que não conheçe  este vídeo dos Opalas cantando "Pobre Moleque" e depois "Vou pular neste carnaval" que é o Luis Vagner o Guitarreiro! Um adelícia de música. Particularmente prefiro esta releitura da música pois a voz aveludada da Nega aí, dá o que falar!

Doce Certeza


Por essa vida fora hás-de adorar
Lindas mulheres, talvez; em ânsia louca,
Em infinito anseio hás de beijar
Estrelas d´ouro fulgindo em muita boca! 

Hás de guardar em cofre perfumado
Cabelos d´ouro e risos de mulher,
Muito beijo d´amor apaixonado;
E não te lembrarás de mim sequer… 

Hás de tecer uns sonhos delicados…
Hão de por muitos olhos magoados,
Os teus olhos de luz andar imersos!…

Mas nunca encontrarás p´la vida fora,
Amor assim como este amor que chora
Neste beijo d´amor que são meus versos!…

Florbela Espanca

30 de nov de 2010

Vem aí a 7° Bienal da UNE

De dois em dois anos os universitários do Brasil  participam da Bienal de cultura da UNE, já comentei aquin que a banda Calote Samba Rock está inscrita na mostra universitária com  a música "Jogo Duro". As inscrições vão até dia 15/12. Participe você também! Informações www.une.org.br

Leia aqui o manifesto da Bienal de 2011 que se intitula "Brasil no estandarte, o samba é meu combate" 

“Se o poeta avisou
Que tem fim felicidade
Quero o rastro da passista
Vou na esteira de quem sabe
De quem vira a fantasia
E nos avessos da cidade
Vence sol ou chuva fria
Porque o samba é o combate”


E essa tal felicidade do povo brasileiro? Essa capacidade de transcender sobre o peso que pesa, de se iluminar sobre a dor que dói, de não esmorecer na batalha e fazer carnaval? E esse samba desse povo, que ninguém sabe se é alegre ou se é triste, que se entrega na noite mas se fortalece é no dia após dia, que lava alma de quem dele precisa? E esse país que ainda não raiou? Há quem diga que o samba é seu mal, a expressão preguiçosa de uma gente a quem não cabe muito celebrar nem antes nem depois da quarta-feira de cinzas. Seria o samba um falso remédio, um colírio ludibriante, um engano em compasso de dois por quatro?

Pra cima de mim não! O samba não tem erro e de malandro faz gigante. O samba é o recurso de quem não pode e se sacode, quem levanta, bate a poeira e dá voltas por cima do próprio destino. O samba é de quem sabe. Se viver é uma cruzada, a alegria é o estandarte, tamborim é a fé cega, o tantan a humildade, cavaquinho é luz de cima, o surdão toda vontade de o pandeiro dar o ritmo pra canção virar verdade.

Muito mais do que música, samba é o jeito de viver, gingar, pensar e decidir as coisas nesse pedaço de vastidão da América do Sul. É o traço de brasilidade que agrega toda a cultura nacional em sua complexidade e jogo de cintura. De que é feito o samba perguntam-se desde antropólogos como Hermano Viana o livro “O Mistério do Samba” até roqueiros convertidos como Marcelo Camelo em seu “Samba a Dois”, bem conhecido com o grupo Los Hermanos.

A União Nacional dos Estudantes (UNE), uma das mais antigas e marcantes instituições da sociedade brasileira, mergulha no universo do samba em sua 7ª Bienal com o tema: “Brasil no estandarte, o samba é meu combate”. A UNE, em um grandioso evento de oito dias e mais de 60 mil estudantes no Rio de Janeiro, deixa-se provocar e enfrenta a incômoda teoria de que o samba e a felicidade do povo brasileiro são inférteis. A Bienal abandona, corajosamente, o medo de que o Brasil termine em um imenso carnaval, sem prazo para a última batida. Juntos, os estudantes brasileiros mostrarão que ser feliz também é o combate.

Do ponto de vista conceitual e estético, fazer um samba na Bienal é promover um grande desfile da diversidade, baseado no aplauso e no improviso. Uma grande roda de bamba onde se entra o tempo todo em um ticuntum de idéias, tecnologias, saberes e fazeres. A escolha do samba para o evento permite a quebra sincopada das estruturas hierárquicas do conhecimento, dando lugar ao coletivo e à contribuição de cada um e sua caixinha de fósforos. O fascínio um tanto místico que move uma escola na passarela, que leva um país a cantar junto, é replicado, entre a juventude brasileira da Bienal da UNE, em uma onda de motivação e práticas solidárias que se multiplicarão para muito além do evento, porque todo samba é de combate.

A 7ª Bienal representa um amadurecido trajeto em busca dos fundamentos basais da identidade nacional brasileira. Ao longo de 11 anos, as bienais pautaram a herança africana na cultura do país, os vínculos do Brasil com a América Latina, a cultura popular e as raízes de formação do Brasil. O samba aparece, naturalmente, em meio a esse caminho, sintetizando um pouco de todas essas referências em uma manifestação que tornou-se, praticamente, sinônima de nação. Entendendo o momento histórico de crescimento do protagonismo internacional do Brasil, assim como da sua responsabilidade com a transmissão de valores positivos ao mundo, a Bienal da UNE recorre ao samba em sua dimensão complexa, festiva, crítica e redentora.

Em 2005, o samba de roda baiano foi incluído pela Unesco na lista dos Patrimônios da Humanidade. Em 2007, o Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural do Brasil (IPHAN) definiu o samba como Patrimônio Nacional. A partir de um qualificado rol de convidados e mesas-redondas, grandes atrações culturais, assim como da transversalidade de linguagens como música, cinema, teatro, arte digital, literatura e artes visuais, a 7ª Bienal da UNE também consagra o samba como riqueza imaterial da sociedade brasileira, permeável para os mais diversos debates e propostas.

Do ponto de vista histórico e antropológico, a Bienal contribui para um resgate dessa manifestação, desde o século XIX, em cada uma das suas expressões, como a semba africana, a umbigada, o samba de roda, samba de terreiro, samba corrido, samba de gafieira, samba de breque, samba canção e a própria bossa nova ou o pagode. A partir de 1917 e daquele tido como o primeiro samba gravado – “Pelo telefone” de Donga e Mauro de Almeida – o samba passa também a constituir, por si, uma narrativa do desenvolvimento social e político do Brasil nos últimos 100 anos.

Segundo Hermano Viana, recorrendo à imagem de um possível encontro entre os intelectuais Gilberto Freire e Afonso Arinos com o músico Pixinguinha, o samba é alçado a símbolo da "identidade nacional" em um elaborado processo de intermediações sociais entre o povo e as elites. Freire recorta o Brasil de seu tempo, início do século XX, apresentando o mestiço como elemento síntese das coisas nacionais, em busca do viés definidor da autenticidade do país. Nesse momento, a capital do Brasil, o Rio de Janeiro, vivia grande influência da cultura estrangeira, notada nas reformas urbanas de Pereira Passos e no apogeu da "Belle Époque" francesa. Com a nova formação do estado brasileiro, pós revolução de 1930, firmou-se a construção de uma memória de identidade nacional elencando o samba como manifestação "genuinamente brasileira".

O samba da Bienal de 2011, revisitado e resignificado em uma cidade que se ensaia cosmopolita o bastante para receber, em 2014, a final da Copa do Mundo e, em 2016, os jogos olímpicos, é como a procura de um marco referencial da cultura brasileira. Adereçado de possibilidades e conexões como o samba-rock, a drum`n`bossa e as paradinhas do funk na bateria, o samba brasileiro tem grande contribuição a dar a outros povos mundiais. Prezando pelo alcance, a 7ª Bienal da UNE redistribui a nossa cultura, assumindo seus elementos de identidade na alteridade, miscigenação e antropofagismo cultural em direção a um novo grau civilizatório entre povos e nações que faça frente às constantes manifestação de intolerância, racismo e fundamentalismo pelo planeta. Isso vai dar samba.

Razão de Sambar!

Delícia é acordar com essa música todos os dias!

Dia Nacional do Samba - 30 anos sem Cartola? Existem os eternos


Há trinta anos a música brasileira perdia um genial compositor e um grande músico. Mas sua obra o transformou em eterno. Nos ensinando que...  "A sorrir eu prefiro levar, a vida, pois chorando eu vi a mocidade perdida..."  No dia Nacional do Samba  minha homenagem vai pra Cartola, se não conheçe dá uma olhadinha na história desta figuraça.
  
É impossível falar de samba sem falar de Cartola. Nasceu em 11 de Outubro de 1908, recebeu o apelido quando passou a usar um elegante chapéu-côco. Autor de sambas inesquecíveis como "As Rosas não Falam", "O Mundo é um Moinho" e "O Sol Nascerá". Cartola foi também um dos fundadores da Estação Primeira de Mangueira, tendo sugerido o nome da escola e as cores verde e rosa. Nas favelas ou nos redutos intelectuais, Cartola é visto da mesma maneira: autêntico, harmonioso, lírico, genial. Morreu no ano de 1980, deixando várias obras que hoje são referências para qualquer estudo sério sobre a música brasileira. Seu nome é Angenor de Oliveira

Considerado por diversos músicos e críticos como o maior sambista da história da música brasileira, Cartola nasceu no bairro do Catete, mas passou a infância no bairro de Laranjeiras. Tomou gosto pela música e pelo samba ainda moleque e aprendeu com o pai a tocar cavaquinho e violão.Dificuldades financeiras obrigaram a família numerosa a se mudar para o morro da Mangueira, onde então começava a despontar uma incipiente favela.

Na Mangueira, logo conheceu e fez amizade com Carlos Cachaça - seis anos mais velho - e outros bambas, e se iniciaria no mundo da boemia, da malandragem e do samba.
Com 15 anos, após a morte de sua mãe, abandonou os estudos - tendo terminado apenas o primário. Arranjou emprego de servente de obra, e passou a usar um chapéu-coco para se proteger do cimento que caía de cima. Por usar esse chapéu, ganhou dos colegas de trabalho o apelido "Cartola".
 
Cartola só gravou seu primeiro disco em 1974 no qual já incluiu pérolas do quilate de "As rosas não falam", "Alegria", "O mundo é um moinho", "Acontece", "O sol nascerá", em parceria como Élton Medeiros e "Quem me vê sorrindo", ao lado de Carlos Cachaça. Depois, gravou ainda mais três álbuns individuais.

Em 1974, aos 66 anos, Cartola gravou o primeiro de seus quatro discos-solo, e sua carreira tomou impulso de novo com clássicos instantâneos como "As Rosas Não Falam", "O Mundo é um Moinho", "Acontece", "O Sol Nascerá" (com Elton Medeiros), "Quem Me Vê Sorrindo" (com Carlos Cachaça), "Cordas de Aço", "Alvorada" e "Alegria". No final da década de 1970, mudou-se da Mangueira para uma casa em Jacarepaguá, onde morou até a morte, em 1980.

25 de nov de 2010

E como o vento foi embora


Meu amor veio com o vento
E como o vento foi embora
Meu amor veio com o vento
E como o vento foi embora

Leva longe esse lamento
De um tempo que foi embora
Leva junto meu tormento
Saudade é minha senhora

Meu amor veio com o vento
E como o vento foi embora
Meu amor veio com o vento
E como o vento foi embora

O tempo que tudo pode curar
Não deixa areia no mesmo lugar
Não muda a lembrança de um tempo bom
E desse jeito a vida passa
Eu nem percebo ela passar

Respiro e bebo num gole a cachaça
Que arde à beça no peito
Não tem jeito, eu fumo um cigarro
Eu olho a fumaça, eu perco o meu tempo
Andando à toa no meio da vila pensando
Que tudo na vida tem jeito


Eu juro que tento sair desse rio do tempo
Mas lutar contra a saudade
É tentar brigar com o vento
Ele é nada, mas me vence
Bato forte no vazio que nem sente!

Esse é o preço que eu pago
Pelo apego que eu tenho
Eu mereço! Deixa assim...
Você sabe, nunca tive outro endereço

Meu amor veio com o vento
E como o vento foi embora
Meu amor veio com o vento
E como  vento foi embora

Eu fico pensando no amor
Que o vento levou
E só me trouxe agora

Meu amor veio com o vento
E como o vento foi embora
Meu amor veio com o vento
E como o vento foi embora

Eu fico vagando na noite
Fingindo que a dor
Já não mais me incomoda

Meu amor veio com o vento
E como o vento foi embora

Clube do Balanço
Composição: Tereza Gama e Marco Mattoli



25 de Novembro


"Meu amor veio com o vento e como o vento foi embora" é com um trecho da música de autoria da Tereza Gama e Marco Matolli que inicio este post. Hoje completa um ano que meu amor foi embora. Um anos que não posso mais ligar ( por mais que eu esqueça e tente às vezes), abraçar, encher de mordidas, ouvir e ser acariciada pela pessoa que foi só dedicação a mim durante 24 anos.

Pois bem,  faz apenas um que tenho sua ausência. Um ano que passou muito rápido como se fosse um piscar de olhos e um asaudade que a cada dia aumenta mais. Lembro que no dia 01 de novembro do ano passado minha avó já estava internada e  eu e o Nilo estávamos produzindo o show da Tereza Gama do Clube do Balanço no Prontidão. No corre corre de produção fomos até o hotel buscá-la para almoçar  e o que tocava no carro era "Ecomo o vento foi embora", não aguentei e tive de perguntarse era dela a composição e claro a história  desta música e toca você na alma.

Ela  que é uma querida e iluminada cheia de axé não exitou em responder. " Meu pai faleceu, demorei tanto para me recuperar, me adaptar à sua ausência, ele era tudo pra mim. Então escrevi,  com Mattoli esta música" fez a citação "Leva longe esse lamento/ De um tempo que foi embora/ Leva junto meu tormento/
Saudade é minha senhora".

Nunca comentei isso com ninguém e o Nilo deve lembrar vagamente mas naquele instante tentei endender a Tereza e sabia que em breve passaria por tal situação. 24 dias depois estava eu rumo à Caxias do Sul para ver a cena que jamais queria ter visto. Sem chão, sem a pessoas que mais se dedicou a mim durante todos os anos de minha vida. A pessoa que sempre disse "se for pra ti ser feliz minha neta, vai, faz e conquista".

O dia hoje está estranho, liguei muito cedo para minha mãe para saber como ela está, sua voz está boa, a minha já não. As lágrimas querem sair  e estou fazendo uma força sobre humana para que elas não caiam.  Sei é inevitável que rolem mas o esforço estou  fazendo  pois sei que no fundo tudo que a minha avó amada uqeria era me ver sorrir  o tempo todo!

Te amo demais, em breve estaremos juntas. Só me aguarda por favor, quero te dar um abraço muito apertado e poder te encher de cócegas e mordidas de neta!

23 de nov de 2010

A nova pérola da nega

Vou falar mais sobre eles o momento é apenas de ouvir...planejar!

Outro Lugar

Ai, ai nunca vou esquecer de uma página de revista guardada na minha casa em Caxias, com o rosto do Milton Nascimento e a seguinte frase "Se Deus Cantasse, seria com a voz de Milton  Nascimento" assinado Elis Regina.

Sou completamente apaixonada por ele, do primeiro LP ao último CD. Ainda não tive a oportunidade de ouvi-lo ao vivo, nunca estou no lugar quando ele está a última ele estava em Porto Alegre e eu em São Paulo, adivinha como estava meu humor por lá!

Hoje acordei completamente Milton, o ganhador do "Prêmio Raça Negra" da revista Raça. Escolhi esta música para embalar meu dia e ter ao pé do ouvido a sedosa voz de Milton. 

Aproveitando obviamente, adoro essa música e vai pro meu neguinho também.



Cê sabe que as canções são todas feitas pra você
E vivo porque acredito nesse nosso doido amor
Não vê que tá errado, tá errado me querer quando convém
E se eu não tô enganado acho que você me ama também
O dia amanheceu chovendo e a saudade me contêm
O céu já tá estrelado e tá cansado de zelar pelo meu bem
Vem logo que esse trem já tá na hora, tá na hora de partir
E eu já tô molhado, tô molhado de esperar você aqui
Amor eu gosto tanto, eu amo, amo tanto o seu olhar
Andei por esse mundo louco, doido, solto com sede de amar
Igual a um beija-flor, que beija-flor,
De flor em flor eu quis beijar
Por isso não demora que a história passa e pode me levar
E eu não quero ir, não posso ir pra lado algum
Enquanto não voltar
Não quero que isso aqui dentro de mim
Vá embora e tome outro lugar
Talvez a vida mude e nossa estrada pode se cruzar
Amor, meu grande amor, estou sentindo
Que está chegando a hora de dormir.

Milton Nascimento
Composição: Elder Costa

19 de nov de 2010

Window Seat

Associação Satélite-Prontidão realiza entrega do prêmio “Troféu Zumbi”


Domingo, dia 21 de novembro a partir das 17horas a Associação Satélite-Prontidão realiza a entrega do “Troféu Zumbi”. Renomeando a saga do herói negro, “Zumbi dos Palmares” o prêmio foi instituído em 1988, com dupla finalidade: homenagear uma pessoa que se destacou por seu trabalho junto à comunidade e divulgar a arte negra, uma vez que a escultura é obra do porto-alegrense Américo de Souza.

O “Troféu Zumbi”, busca a valorização da comunidade negra junto a diversos segmentos da sociedade e estimula a participação em ações que despertem a integração, valorização,  solidariedade e compreensão entre os povos. Além de prestar homenagem a pessoas que tenham se destacado por suas obras em prol da comunidade negra.

Nesta edição a  entrega do “Troféu Zumbi dos Palmares” será feita  ao Engenheiro  João Cândido de Oliveira Neto, sobrinho neto do "Almirante Negro", por expressivo trabalho social, junto à comunidade afro descendente e em especial à Associação Satélite Prontidão.

Serviço:
Entrega doTroféu  Zumbi dos Palmares
Data: 21/11/2010
Horário:17h
Local: Satélite-Prontidão a Casa da Cultura Negra -  Cel. Aparício Borges, 288

18 de nov de 2010

Tower Of Power - Soul Vaccination

Cortar o tempo


Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.

Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.

Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente.

Carlos Drummond de Andrade

Imperdível - Circuito Bohemia Instrumental!

Començando Aqui


Qualquer um que me conhece pensaria A "Isa " colocando isso aqui? Comunista, questionadora e incrédula de tantas coisas. Pois é por mais que no dia a dia essa parte da Isadora não esteja estampada ela existe, uma menina criada dentro de uma igreja, vista pelos mais próximos com meiga e boa por outros com " a faca na bota"  assim mesmo sou tudo isso! Através dessa senhora aí aprendi a ter grandes valores, digo que os mais sensíveis, justos, humildes e humanos. 

E porque estou colocando esta nota aqui? Porque há dias lembro dessa música  que está aí embaixo. Lemnbro que nunca consegui ouvil-la sem que as lágrimas caíssem. Hoje fiz o teste novamente e de novo elas rolaram. Há mais de 10 anos não a ouvia. Ela traz minha avó  pra pertinho de mim. Talvez essa bobeira toda é porque está se aproximendo do 25 de novembro tão triste que irei lembrar até o fim dos meus dias. O 25 de novembro que fiquei mais só, menos boa e mais triste.

A sua entrega é total
Você não pôde mas adiar Jesus chegou ao seu coração
Chamou por seu nome, você atendeu
Algumas lágrimas vêm
E vão lavando qualquer temor
O Santo Espírito está aqui lhe abraça e diz o quanto esperou
 Sua vida vai desabrochar
Vai sorrir vai cantar
Começando aqui e por todo sempre
O amor de Deus vai lhe acompanhar
Ele prometeu jamais vai deixá-lo
Você não estará sozinho a vagar
Deus vai lhe amparar
Se o amanhã lhe trouxer Temores,
dúvidas e pesar Jesus ao seu lado vai estar

10 de nov de 2010

Duets

Estes dias em casa, o tornozelo torcido e consequentemente o  pé imobilizado  me deixaram sem inspiração para diversas coisas, então segunda feira à noite fui no aniver do Dionísio e na volta enquanto deixávamos o nosso Chaveirinho em casa a "Priscila"  eu e a neguinha Adri Perdomo ligamos o rádio e... o que estava rolando? Duets! Amooo lembra tempos muito bons e felizes  ou seja minha inspiração está voltando!
Não podia deixar de postar aqui! Curtam!

26 de out de 2010

A Palavra Mágica

Certa palavra dorme na sombra
de um livro raro
Como desencantá-la?
É a senha da vida
a senha do mundo.
Vou procurá-la.

Vou procurá-la a vida inteira
no mundo todo.
Se tarda o encontro, se não a encontro,
não desanimo,
produro sempre.

Procuro sempre, e minha procura
ficará sendo
minha palavra.

Carlos Drummond de Andrade
1977 - Discurso de Primavera e Algumas Sombras

Solo le pido a Dios

 
Só peço a Deus
que a dor não me seja indiferente
que a seca morte não me encontre
vazia e só sem ter feito o suficiente

Só peço a Deus
que o injusto não me seja indiferente
que não me esbofeteem a outra bochecha
Depois que uma garra me arranhou essa sorte

Só peço a Deus
que a guerra não me seja indiferente
É um monstro grande e esmaga
Toda pobre inocência da gente
É um monstro grande e esmaga
Toda pobre inocência da gente

Só peço a Deus
que o engano não me seja indiferente
Se um traidor pode mais que uns quantos,
que esses não esqueçam facilmente

Só peço a Deus
que o futuro não me seja indiferente,
Desiludido está o que tem que marchar
para viver uma cultura diferente

Só peço a Deus
que a guerra não me seja indiferente
É um monstro grande e esmaga
Toda pobre inocência da gente
É um monstro grande e esmaga
Toda pobre inocência da gente
 

O gato que não sabia de nada

Marcos Fernando Kisrt

Uma das coisa que aprendi a gostar na vida foi dos gatos. Desde criança sempre tive cachorros, vira-lata, linguiçinha epor aí vai. Tinha asco dos pobres felinos, achava a personalidade dos gatos muito traiçoeira. Pois bem, certo dia  resolvi ter um gato ou melhor uma gata  o nome? "Rê Bordosa" sim em homenagem a personagem criada por Angeli. Resultado me apaixonei pelos felinos. Penso até que adoraria ser um ou melhor  uma.

A Rê Bordosa era linda, amarela com jeito de Garfield  e cara de Gato de Botas  do filme Sherek. Até morou comigo aqui em Porto Alegre por um ano até minha odiosa vizinha roubá-la em uma das minhas saídas. Não é isso que quero contar, quando penso no roubo vou ficando irritada.  Acontece que a Rê Bordosa era uma menina até o dia que foi levada ao veterinário para fazer a tal cirurgia  para não ter gatinhos...  o que descobrimos? Não era uma gata era um gato! Como tudo era cor-de-rosa, a coleira, a cama, a caixinha de areia o brinquedos...decidi que ia continuar sendo a minha Rê Bordosa gata. Acho que isso gerou alguns problemas psicológicos nela ou melhor nele.

Cheguei onde queria, neste  aniversário ganhei diversos presentes e um dele foi  o livro " O Gato que não sabia de nada" de Marcos Fernando Kirst natural de Santa Maria mas radicado em Caxias do Sul. De quem veio o presente? Não poderia ser de outra pessoa se não da minha inveterada leitora Ivânia minha mãe.

O livro é fantástico, é narrado em primeira pessoa e quem narra? O gatinho que também foi levado ao veterinário pelos seus "pais adotivos, humanos" para fazer sua 1° consulta e saber se era um gatinho ou uma gatinha, Bioy tem crises de identidade, “Eu é que não iria engolir aquilo de jeito nenhum, pois, se era para os tais de vermes, os vermes que engolissem aquilo, eu é que não, pois posso ser gato, macaquinho,vira-lata ou até jornalista, mas verme não sou e, portanto, não engoliria remédio para vermes! Foi tudo isso que eu disse para eles entre meus dentes enquanto eles me forçavam a engolir a pílula, que acabou assustadoramente caindo pela minha goela abaixo, apesar de meus protestos. Urgh! Pfuaf!!! Eca!!!!!” 

O livro é infanto-juvenil, mas não deixa nada a desejar. Li  em meia hora e me diverti muito. A  narração de Bioy faz com que nós " bichos humanos"  possamos entender um mundo que não é o nosso e sim o dele  mas que compartilhamos  no dia a dia. 

“E tem vezes que eles ficam simplesmente encantados quando eu, estando no meio dos dois no sofá da sala, fixo meu olhar naquele aparelho barulhento e cheio de imagens coloridas que mudam o tempo todo, que eles parecem adorar. ‘Veja, amor, o Bioy assiste televisão’, eles comentam... Nada a ver! Fico, na verdade, é meio pasmado por alguns segundos, tentando entender onde está a graça que eles encontram naquilo, mas logo me canso e prefiro voltar aos carinhos deles e fechar meus olhos para sonhar coisas e mundos fantásticos que só a imaginação dos gatos é capaz de criar.” 
 
Vale a pena a leitura, em um momento de descontração, momento de não pensar em nada apenas soltar a imaginação e entrar no fantático mundo do "gatinho menino Bioy" afinal não é qualquer gato que escreve histórias!

23 de out de 2010

"Esperança" clássico da música gaúcha

Dicionário de ofensas


Inicialmente elogios... no meio as ofensas  vem, será que vem pensadas ou apenas de impulso? será que sabem o efeito que causam?

frustrada
chata
grossa
burra
problemática

aí vem também as expressões clássicas...

saco cheio
vai se fuder
vai tomar no c'*
cala a boca

Particularmente não gosto nem de ouvir nem de usar nenhuma delas, prefiro o argumento sereno, paciente e consequente. Prefiro a doçura, o carinho a compreensão.

Canção da América

Mais um adeus precoce demais

Um sábado como muitos, a diferença? Eu e Nilo ficamos em casa com o Pedrinho então não saímos ontem e consequentemente acordamos cedinho hoje. Pois é ele acordou cedinho eu dei mais um tempo na cama  pois adoro fazer preguiça. O telefone tocou  era um músico amigo que  vinha com más e tristes notícias.  Uma grande figura que conhecemos por acaso em um projeto chamado Roda de Zamba  e a partir dali não perdemos mais contato sofreu um acidente hoje äs 6 horas da manhã. Uma árvore, um carro, algumas cervejas e o fim de uma vida muito promissora.

Matheus Petuco, 23 anos compositor, músico que trazia consigo a sensibilidade dos antigos compositores que saíram desta terra.  Com sua banda Calote Samba rock que nos últimos meses tivemos o prazer de  tê-los duas vezes no Satélite-Prontidão. Com energia e vontade de fazer acontecer que eu não via há muito tempo. Mostrando qualidade em todos os sentidos desde seus clássicos da antiga com releituras até sua banda composta por pessoas queridas e como ele.

Não vou esquecer o dia que foi conhecer a ASP e fez 3 músicas com a banda que produzimos a Mr.Funk... o Menino baixinho mas de grande valor tremia ao subir no palco. Passou aqui por casa e  falava da necessidade de tocar em lugares que sua música fosse conhecida, falava também da falta que sentia do irmão que já não residia com ele e os pais.

Hoje só posso dar força aos que conheceram essa pessoa querida, dizer que estamos aí pra tudo que precisarem, pois nosso trabalho é negócio mas ele é feito de pessoas que aprendem a respeitar e conhecer umas äs outras. E tenho convicção que passaremos pelo adeus a nosso amigo e continuaremos a andar e de onde quer que ele esteja estará aqui em cada palhetada, em cada nota musical que for solta no ar. Dia triste esse é terrível dar adeus aos mais novos que você!

Força para essa família e para os meninos da Calote!

22 de out de 2010

Verão em Calcutá!

Amoo de mais Nei Lisboa! Delícia encontrá-lo no final de tarde na Lancheria do Parque. Delícia ouvir essa voz que faz bem para a alma! Essa música é uma das minhas preferidas!

21 de out de 2010

Loucos de Cara

Essa pra variar é mais uma das músicas que herdei da minha mãe... eu pequeninha ela colocava para tocar e dizia "Isa escuta essa música, presta atenção na letra..."


Vem, anda comigo pelo planeta
Vamos sumir!
Vem, nada nos prende, ombro no ombro
Vamos sumir!
Não importa que Deus
Jogue pesadas moedas do céu
Vire sacolas de lixo
Pelo caminho
Se na praça em Moscou
Lênin caminha e procura por ti
Sob o luar do oriente
Fica na tua
Não importam vitórias
Grandes derrotas, bilhões de fuzis
Aço e perfume dos mísseis
Nos teus sapatos
Os chineses e os negros
Lotam navios e decoram canções
Fumam haxixe na esquina
Fica na tua
Vem, anda comigo pelo planeta
Vamos sumir!
Vem, nada nos prende, ombro no ombro
Vamos sumir!
Não importa que Lennon
Arme no inferno a polícia civil
Mostre as orelhas de burro
Aos peruanos
Garibaldi delira
Puxa no campo um provável navio
Grita no mar farroupilha
Fica na tua
Não importa que os vikings
Queimem as fábricas do cone sul
Virem barris de bebidas
No rio da prata
Boitatá nos espera
Na encruzilhada da noite sem luz
Com sua fome encantada
Fica na tua
Poetas loucos de cara
Maldito loucos de cara
Pirados loucos de cara
Ah, vamos sumir!
Parceiros loucos de cara
Ciganos loucos de cara
Inquietos loucos de cara
Ah, vamos sumir!
Vem, anda comigo pelo planeta
Vamos sumir!
Vem, nada nos prende, ombro no ombro
Vamos sumir!
Se um dia qualquer
Tudo pulsar num imenso vazio
Coisas saindo do nada
Indo pro nada
Se mais nada existir
Mesmo o que sempre chamamos real
E isso pra ti for tão claro
Que nem percebas
Se um dia qualquer
Ter lucidez for o mesmo que andar
E não notares que andas
O tempo inteiro
É sinal que valeu!
Pega carona no carro que vem
Se ele não vem, não importa
Fica na tua
Videntes loucos de cara
Discrentes loucos de cara
Inquietos loucos de cara
Ah, vamos sumir!
Latinos, deuses, gênios, santos, podres
Ateus, imundos e limpos
Moleques loucos de cara
Ah, vamos sumir!
Gigantes, tolos, monges, monstros, sábios
Bardos, anjos rudes, cheios do saco
Fantasmas loucos de cara
Ah, vamos sumir!
Vem, anda comigo pelo planeta
Vamos sumir!
Vem, nada nos prende, ombro no ombro
Vamos sumir!

"‎Que seria deste mundo sem militantes?

Garimpado e traduzido por Raisa Marques, divido com você essa linda gravação em que Pepe Mujica, Presidente do Uruguai e ex-guerrilheiro dá um aula sobre a militância.
 Acompanhem:

"‎Que seria deste mundo sem militantes? Como seria a condição humana se não houvesse militantes? Não porque os militantes sejam perfeitos, porque tenham sempre a razão, porque sejam super-homens e não se equivoquem. Não é isso. É que os militantes não vem para buscar o seu, vem entregar a alma por um punhado de sonhos. Ao fim e ao cabo, o progresso da condição humana depende fundamentalmente de que exista gente que se sinta feliz em gastar sua vida a serviço do progresso humano. Ser militante não é carregar uma cruz de sacrifício. É viver a glória interior de lutar pela liberdade em seu sentido transcendente".

O caluniador, figura da barbárie

 por Juarez Guimarães, na Carta Capital


De todas as eleições presidenciais realizadas após a
 redemocratização, esta é certamente aquela que a calúnia cumpre um papel mais central na definição do voto. Ela foi utilizada em um momento decisivo por Collor contra Lula, compareceu sempre todas as vezes nas quais Lula foi candidato mas agora ela mudou de intensidade e abrangência, tornou-se multiforme e onipresente.

A calúnia foi ao centro da nossa vida democrática. A senhora ao lado no ônibus me diz que recebeu a informação que Dilma desafiou Jesus Cristo em um comício realizado na Praça da Estação, em Belo Horizonte. O motorista de táxi conta que um médico lhe ssegurou que um outro médico, seu amigo, diagnosticou  gonorréia em Dilma.

Um e-mail recebido traz documento do TSE impugnando a candidatura de Dilma por ter “ficha suja”. Um  aluno me diz ter recebido carta em casa da Regional 1 da CNBB, contendo mensagem para não votar em Dilma por ser contra a vida. Um comerciante na papelaria me diz que “não vota em  bandida”. Após divulgar o resultado da primeira pesquisa Sensus/CNT para o segundo turno, o sociólogo Ricardo Guedes, afirmou  que “nessa eleição, principalmente no final do primeiro turno, temos um fenômeno sociológico de natureza cultural de desconstrução de imagem. O processo de difamação, até certo ponto, pegou.” Quem conhece  alguém que não recebeu uma calúnia contra Dilma ?
 
Houve uma mudança nos meios: a internet permite o anonimato e a profusão da calúnia. A Igreja brasileira, sob a pressão de mais de duas décadas de Ratzinger, tornou-se mais conservadora na sua cúpula e mobiliza hoje uma mensagem de ultra-direita, como não se via desde 1964. A mídia empresarial brasileira, já se sabia, vinha trilhando o seu caminho de partidarização e difamação pública, no qual até o direito de resposta  tornou-se um crime contra a liberdade de expressão. Mas tudo isso não havia encontrado ainda o seu ponto de fusão: agora, sim.

O que está ocorrendo aos nossos olhos não pode ser banalizado. O caluniador é uma figura da barbárie, o sinistro que mobiliza o submundo dos preconceitos, dos ódios e dos fanatismos. A calúnia traz a violência para o centro da cena pública, pronunciando a morte pública de uma pessoa, sem direito à defesa. Perante a calúnia não há diálogo, direitos ou tribunais isentos. Na dúvida, contra o “réu”: a suspeição atirada sobre ele, visa torná-lo impotente pois já, de partida, a humanidade lhe foi negada.

Mas quem é o caluniador, essa figura de mil caras e rosto nenhum? É preciso dizer alto e bom som, em  público, o seu nome, antes que seja tarde: o nome do caluniador é hoje a candidatura José Serra! Friso a
candidatura porque não quero exatamente negar a humanidade de quem calunia. É o que fez, com a coragem que lhe é própria, a companheira Dilma Roussef no primeiro debate do segundo turno, apontando o nome de
uma caluniadora – a mulher de Serra – e chamando o próprio de o “homem das mil caras”.

Dia a dia, de forma crescente e orquestrada, a calúnia foi indo ao centro de sua campanha, de sua mensagem, de sua fala, de sua identidade proclamada, de seus aliados midiáticos, de parceiros fanáticos (TFP) ou escabrosos (nazistas de Brasília), de sua estratégia eleitoral e de seu cálculo. “Homem do bem” contra a “candidata do mal”? Homem de uma “palavra só” contra a “mulher de duas caras”? Político “ficha limpa” contra a “candidata ficha suja”? Protetor dos fetos e dos ofendidos (como mostra a imagem na TV) contra aquela que “assassina criancinhas”, como disse publicamente sua mulher? Homem público contra a “mulher das sombras”?
O que está se passando mesmo aqui e agora na jovem democracia brasileira? Que arco é este que vai da TFP a Caetano Veloso, quem , quase em uníssomo ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, chamou o presidente Lula de analfabeto e ignorante já no início deste ano? Afinal, que cruzada é esta e qual a sua força?

O que está ocorrendo aqui e agora é uma aliança dirigida por um liberal conservador com o fanático religioso e com o proto-fascista. Cada uma dessas figuras – que sustentam o lugar comum da calúnia – precisa ser entendida em sua própria identidade e voz. A democracia brasileira ainda é o lugar da razão, do sentimento e da dignidade do público: por isso, defender a candidatura Dilma Roussef é hoje assumir a causa que não pode ser perdida.

Liberalismo conservador: o criador e sua criatura – Nunca como agora em que esconde ou quase não mostra a imagem de Fernando Henrique Cardoso, Serra foi tão criatura de seu mestre intelectual. É dele que vem o discurso e a narrativa que, ao mesmo tempo, dá a senha e liga toda a cruzada da direita brasileira.

A noção de que o PT e seu governo ameaçam a liberdade dos brasileiros pois instrumentalizam o Estado, fazem reviver a “República sindical”, formam gangues de corrupção e ameaçam a liberdade de expressão não
deixa de ser uma evocação da vertente lacerdista da velha UDN. Mas certamente não é uma doutrina local.

 A cartilha do liberal-conservador Fernando Henrique Cardoso é um autor chamado Isaiah Berlin, autor de um famoso ensaio “Dois conceitos de liberdade” e do livro “A traição da liberdade. Seis inimigos da liberdade humana”. Neste ensaio e neste livro, define-se a liberdade como “liberdade negativa”, isto é aquele espaço que não é regulado pelas leis ou pelo Estado contraposto à noção de “liberdade positiva”.Quanto menos Estado, mais liberdade; quanto mais Estado, menos liberdade. Ao confundir liberdade com autonomia, ao vincular liberdade aos ideais de justiça ou de interesse comum, republicanos, sociais-democratas, liberais cívicos e, é claro, socialistas, trairiam a própria idéia de liberdade.

É por este conceito e seus desdobramentos que Fernando Henrique mobiliza o clamor midiático contra o PT e o governo Lula. É este conceito que estrutura também o discurso de Serra, que acusa o governo Lula de ser proto-totalitário. É evidente que o conceito não é passado de forma iluminista: a mídia brasileira tornou-se uma verdadeira artista na criação das mediações de opinião, imagem e notícia que se centralizam, em última instância, neste conceito. Daí ele dialoga com o senso comum.
Seja dito em favor de Fernando Henrique Cardoso: é o lado mais sombrio de seu liberalismo que vem à tona agora, na cena agônica, quando o candidato que representa a sua herança ameaça perder pela última vez.
Pois este liberalismo sempre foi de viés cosmopolita, atento em seu diálogo com os democratas norte-americanos e aos “filósofos da Terceira Via”, a certos direitos inscritos na pauta, como aqueles da liberdade sexual, do direito ao aborto legal, dos gays, dos negros, da vida cultural. Mas agora para fazer a ponte com o fanatismo religioso, ele resolveu descer aos infernos: nada sobrou de progressista na candidatura Serra, das ameaças à Bolívia à moral sexual de Ratzinger?

O liberal conservador não é o fanático religioso nem o proto-fascista, aquele que julga que a melhor maneira de dissuadir o adversário é  simplesmente eliminá-lo. Mas dialoga com eles na causa comum de derrotar os “proto-totalitários” de esquerda”. Como disse bem, Jean Fabien Spitz, autor de “ O conceito de liberdade”, os ensaios de Berlin trazem o sentido e a tonalidade da época da “guerra fria”.
 
O fanático religioso: os frutos de Ratzinger – Se a social-democracia, o republicanismo e o socialismo são os inimigos de Berlin, a Modernidade em um sentido amplo é o inimigo central do ex-cardeal Ratzinger. O programa político- teológico que veio construindo a ferro e fogo nestas últimas três décadas é centrado na idéia que é preciso restaurar a dogmática da fé contra os efeitos dissolutivos da moral emancipadora, da racionalização científica e da secularização. Este discurso político, que se fecha no fundamentalismo religioso, como bem denunciou Leonardo Boff, é, na verdade, um discurso de poder, de recentramento do poder do Vaticano.

Neste programa, não é apenas a esquerda enquanto topografia política que é o inimigo mas principalmente o processo de emancipação das mulheres. Entre a “Eva pecadora” e a “Maria mãe de Deus” não há outra identidade possível às mulheres.

A dimensão fundamentalista desde discurso não reconhece o direito do pluralismo na política, nem mesmo na linha do “consenso sobreposto” proposto por John Rawls ( a possibilidade de convergências sobre direitos, partido de um pluralismo de fundamentos). Ou se concorda ou se é proscrito, ex-comungado ou desqualificado.
O proto-fascista brasileira não veste camisa preta nem usa suástica no braço ( embora, é claro, ninguém   duvide, redes simbolicamente ostensivas estão em ação), nem precisa ser sociologicamente configurado como “lumpen proletariado” ou “pequeno burguesia vacilante”, para lembrar as figuras de uma linguagem  simplificadora. O proto-fascista brasileiro é aquele que não quer receber em sua casa comum – a democracia brasileira – estes que não reconhecem mais o seu antigo lugar, os pobres e os negros. 
Há uma violência inaudita no ato do jornal liberal “O Estado de São Paulo” em punir com a demissão Maria Rita Kehl, por escrever um artigo em prol da dignidade dos pobres. Esta violência, que está muito distante do proclamado pluralismo mesmo restrito de alguns liberais, cheira a proto-fascismo, este ato que pretende  abolir as razões públicas dos pobres simplesmente negando dignidade a eles.

A força da liberdade que hoje mora no coração dos brasileiros, os braços abertos do Cristo Redentor e o que há de imaginação e magnífica pulsão de vida na cultura popular dos brasileiros são os verdadeiros antídotos contra as figuras do ódio do caluniador. Por detrás da sua máscara, o povo brasileiro há de reconhecer os centenários adversários de seus direitos.

Diante do caluniador, somos todos hoje Dilma Roussef!